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Operação Backbone: PF mira rede que controlava internet do CV no Rio

A PF prendeu suspeitos e bloqueou até R$ 558 milhões de uma rede que, segundo a PF, controlava a internet em três complexos da Zona Norte.

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Vista do Complexo do Alemão, favela no Rio de Janeiro, tomada a partir da Igreja da Penha.
Vista do Complexo do Alemão, favela da Zona Norte do Rio, a partir da Igreja da Penha (foto de arquivo).Foto: Adam Jones / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Na segunda-feira, 19 de outubro de 2026, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Backbone contra uma rede ligada ao Comando Vermelho (CV). Segundo a PF, a facção impôs um monopólio sobre o serviço de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na Zona Norte do Rio.

Os presos são suspeitos. Nenhum dos investigados foi condenado, e todos têm direito de defesa. Nas primeiras horas, a PF confirmou 19 prisões, segundo a Agência Brasil. A CNN Brasil contou 20.

Complexos são conjuntos de favelas. Segundo as investigações, criminosos armados cortavam cabos e incendiavam caixas de distribuição de provedores concorrentes. Depois, obrigavam moradores e comerciantes a contratar o serviço controlado pelo grupo.

Seguir o dinheiro

O ponto central é a receita. Segundo a PF, em um único mês, a cobrança pelo serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha. A PF diz que a informação vem de registros contábeis da própria facção.

A PF também afirma que o dinheiro passava por empresas arrecadadoras e contas de passagem. Depois, seguia para produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão e criptoativos. Essa rota é o que a investigação quer rastrear.

Quando não há concorrência, a cobrança chega todo mês a quem não tem outra opção. Por isso, um serviço monopolizado pode virar uma fonte de caixa para a facção.

Que ferramentas o Estado tem

A decisão judicial bloqueou até R$ 558 milhões ligados a 40 pessoas físicas e 42 empresas, segundo a Agência Brasil. A CNN Brasil informa que a decisão também suspendeu as atividades econômicas das empresas investigadas. Segundo a Agência Brasil, os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Internet respondeu por mais de 40% da receita do grupo na Penha em um mês, segundo a PF Números da Operação Backbone, em 19 de outubro de 2026

Item Número
Mandados de prisão a cumprir 23
Presos nas primeiras horas 19 a 20
Pessoas com bens bloqueados 40
Empresas com bens bloqueados 42
Bloqueio máximo de bens R$ 558 milhões
Peso da internet na receita do grupo na Penha, em um mês mais de 40%

Fonte: PF, segundo Agência Brasil e CNN Brasil. Elaboração: redação.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será oficiada para a cassação das outorgas, ou seja, das autorizações de operação, e para a interdição dos serviços das empresas investigadas. A PF afirmou que medidas serão adotadas para manter a internet dos moradores. Nenhum provedor foi citado pelo nome nas reportagens consultadas.

Entre os presos está o vereador do Rio Fábio Silva (Podemos), detido em Londrina, no Paraná, segundo a CNN Brasil. A mãe e um irmão do rapper Oruam também foram presos, de acordo com a mesma reportagem. Marcinho VP, pai de Oruam, já estava preso e recebeu nova ordem de prisão. A CNN Brasil não confirma que Oruam seja investigado.

O que diz a defesa: a defesa do vereador Fábio Silva disse à CNN Brasil que “não teve acesso aos autos e se manifestará apenas após o mesmo”. Até a publicação, não encontramos manifestação das defesas dos demais citados.

O que fica em aberto é o destino das empresas e dos serviços. A Anatel ainda vai decidir sobre a cassação das outorgas. A defesa do vereador disse que se manifestará depois de ter acesso aos autos. Para o morador que depende da conexão, a pergunta é simples: quem garante o serviço depois da operação?

Como fizemos: Reunimos os fatos de reportagens publicadas em 19 de outubro de 2026 pela Agência Brasil e pela CNN Brasil, além de matéria do Super Rádio Tupi, listadas em Fontes. Os valores atribuídos à PF estão identificados como da PF. O número de presos varia entre as fontes e foi indicado. Não tivemos acesso aos autos nem às decisões da Justiça, e não há cálculos próprios nem correção pela inflação.

Fontes