PF prende deputado eleito e ex-chefe da Polícia Civil do Rio
Oitava fase da Operação Unha e Carne, autorizada por Moraes, mira grupo suspeito de lavar dinheiro em postos; 112 empresas tiveram atividades suspensas.

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) e o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro. As prisões fazem parte da oitava fase da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A operação mira um suposto grupo criminoso armado que usaria uma rede de postos de combustível para lavar dinheiro. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão que acompanha movimentações suspeitas, aponta que o grupo movimentou mais de R$ 7,6 bilhões, segundo a Agência Brasil.
Prisões e empresas suspensas
Foram cumpridos 6 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. As buscas ocorreram no Rio, em Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Além de Canella e Amim, foram presos quatro inspetores da Polícia Civil, segundo o Correio da Manhã.
A Justiça também mandou sequestrar bens e valores e suspendeu as atividades de 112 empresas ligadas ao esquema. Dessas, 96 são postos de combustível. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados contra os policiais.
Os investigados são suspeitos de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustível e formação de cartel. Outros crimes podem surgir com o avanço da apuração, segundo a Agência Brasil.
Quem são os presos
Canella foi prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Em 4 de outubro, foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio, com 197.178 votos, segundo o Correio da Manhã. Ele já tinha sido alvo da sexta fase da operação, em julho, quando a PF encontrou um fuzil em seu carro.
Amim entrou na Polícia Civil em 2002, segundo o Correio da Manhã. Em outubro de 2023, foi nomeado secretário de Polícia Civil pelo governador Cláudio Castro e ficou cerca de dez meses no cargo. Ele também foi alvo da fase de julho, segundo a Agência Brasil.
A Operação Unha e Carne começou em dezembro de 2025. Na primeira fase, a PF prendeu o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (PL), segundo o Correio da Manhã. Em nota, a PF disse que o tema desta fase foi tratado numa reunião entre a cúpula da corporação e Moraes, no dia 6 de outubro.
O que diz a defesa: O advogado de Marcus Amim, Thiago Minagé, disse ao Correio da Manhã que aguarda acesso ao cliente e à decisão judicial para se manifestar. As reportagens consultadas não trouxeram posicionamento da defesa de Márcio Canella. Em nota, a Polícia Civil afirmou que não tolera desvios de conduta e que vai adotar as medidas administrativas e disciplinares cabíveis.
A prisão preventiva não tem prazo fixo, mas o Código de Processo Penal manda quem a decretou revisar sua necessidade a cada 90 dias. Os presos podem recorrer. A nova legislatura da Alerj começa em fevereiro de 2027, e a situação de Canella até lá depende do andamento do caso no STF. A prisão preventiva é uma medida cautelar e não equivale a condenação.
Fontes
- PF faz nova ação contra suspeitos de lavagem de dinheiro em postos — Agência Brasil
- PF prende Márcio Canella, deputado estadual eleito, e delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil — Correio da Manhã
- PF prende deputado do Rio por suspeita de esquema de lavagem em rede de combustíveis — Diário do Grande ABC (Estadão)
- Código de Processo Penal — Planalto


