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Flávio tentou evitar júri de cabo acusado na morte de Ana Clara
Em 2024, Flávio assinou recurso no STJ para que um cabo da PM acusado da morte de Ana Clara não fosse a júri. O pedido foi negado.
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Em 2024, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) assinou um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O objetivo era impedir que um cabo da Polícia Militar, acusado da morte de Ana Clara, de 5 anos, fosse levado a júri popular. O STJ negou o pedido.
O caso aconteceu em Niterói (RJ), em 2 de fevereiro de 2021, segundo a CartaCapital. Até 19 de outubro de 2026, o júri ainda não tinha sido realizado, mais de cinco anos depois. Pela lei, o policial é acusado, e vale a presunção de inocência até uma condenação definitiva.
O que é o júri, e por que a defesa tenta evitá-lo
Nos crimes dolosos contra a vida, como o homicídio cometido com intenção, quem decide é o Tribunal do Júri. Ele é formado por sete cidadãos sorteados, o Conselho de Sentença, e não por um juiz sozinho.
Antes do júri, um juiz decide se o caso deve ir aos jurados. Essa decisão se chama pronúncia. O recurso de 2024 foi contra a decisão que levou o policial a júri, segundo a CartaCapital.
A Constituição reserva ao júri os crimes dolosos contra a vida. A ideia é que a própria sociedade julgue quem é acusado de matar. É a forma mais direta de prestação de contas que o processo penal brasileiro oferece.
Por isso, defesas costumam ver o júri como um risco. A decisão fica com pessoas sem formação jurídica, e o julgamento acontece em plenário, diante do público. Recursos como o de 2024 buscam mudar o rumo do processo antes desse julgamento.
A atuação de Flávio no caso
Segundo a CartaCapital, Flávio “integrou a equipe de defesa do policial e assinou um recurso no Superior Tribunal de Justiça”. A reportagem acrescenta: “O senador atuou no caso enquanto exercia mandato no Senado.”
Em geral, o STJ julga a aplicação da lei federal e não reexamina provas. Ou seja, um recurso ao tribunal discute o rumo do processo, e não a culpa do acusado. Segundo a CartaCapital, o pedido de Flávio foi negado.
Ana Clara tinha 5 anos e morreu na comunidade do Monan Pequeno, em Niterói, segundo a CartaCapital. Mais de cinco anos depois, o acusado ainda não foi julgado pelos jurados. O recurso assinado por Flávio buscava justamente tirar o caso desse caminho.
Advogar é um direito, e a Constituição garante defesa a todo acusado. A crítica não é a isso. A crítica é à escolha de quem propõe penas mais duras e presídios de segurança máxima para atuar, como senador, em um caso desse tipo.
No debate da Band, em 18 de outubro, Lula questionou Flávio sobre a defesa desse policial. Flávio respondeu que Lula não pode criminalizar a advocacia. Ele disse: “Nem teve julgamento, você já condenou o cara”, segundo a Terra.
Na campanha, o plano de segurança de Flávio prevê penas mais duras. Ele propõe impedir a progressão de pena para crimes hediondos e criar 500 mil novas vagas em prisões em quatro anos, segundo o SBT News.
O que diz Flávio Bolsonaro: No debate da Band, em 18 de outubro de 2026, afirmou que Lula não pode criminalizar a advocacia e que o acusado ainda não foi julgado. Para ele, defender um acusado é um direito. Fonte: Terra.
O que isso significa
O caso ainda não chegou ao júri, e não há condenação. O que está em aberto é a data do julgamento e o desfecho do processo. A atuação de Flávio no recurso é um fato documentado pela reportagem, e não uma suposição.
Especialistas ouvidos pela Folhapress também comentam o plano. Os professores Paiva (UFC) e Grillo (UFF) classificam as propostas como populismo penal. Para eles, penas mais duras e prisão em massa não reduziram o crime ao longo da história.
O ponto da crítica é a coerência entre essas duas coisas: o discurso de endurecimento penal e a atuação em um caso de morte de criança. No domingo, 25 de outubro, o eleitor vota com o caso ainda sem julgamento e com o candidato que defende penas mais duras à frente.
Como fizemos: Usamos a reportagem da CartaCapital, publicada em 19 de outubro de 2026, e a cobertura do debate da Band pela Terra, em 18 de outubro, acessadas em 21 de outubro de 2026. Não tivemos acesso aos autos nem à decisão do STJ; os fatos sobre o recurso vêm da reportagem. A Terra descreve o acusado apenas como policial militar, e a CartaCapital fala em cabo; usamos essa patente com atribuição. O texto não afirma culpa de ninguém e não identifica o acusado pelo nome.
Fontes
- Terra — Lula pergunta a Flávio sobre defesa de policial acusado; Flávio defende advocacia
- CartaCapital — Caso Ana Clara: PM acusado da morte de menina de 5 anos foi defendido por Flávio Bolsonaro
- SBT News — Segurança pública: veja as propostas de Flávio na íntegra
- Bem Paraná/Folhapress — Plano de Flávio Bolsonaro desconhece sistema de segurança pública, dizem especialistas



