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PF prende PM e ex-policiais suspeitos de vender fuzis ao TCP

Operação Magen, da PF e do MPRJ, mira grupo suspeito de entregar dez fuzis AR-15 à cúpula da facção e de vazar dados sigilosos de investigações.

Ilustração abstrata provisória: silhuetas geométricas em azul-noite atravessadas por uma faixa vermelha, com um distintivo dourado ao centro
Imagem provisória, a ser substituída por foto ou ilustração antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quarta-feira (7) cinco pessoas suspeitas de vender armas ao Terceiro Comando Puro (TCP). A facção atua no Complexo de Israel, na zona norte do Rio. Entre os presos estão um policial militar da ativa e três ex-PMs, segundo a Folhapress e o Correio da Manhã. O quinto é um ex-servidor comissionado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

A Operação Magen é da PF e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A 1ª Vara de Organização Criminosa da Capital expediu 7 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão, segundo a Folhapress. Houve buscas em quatro bairros do Rio e em Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Mesquita, Nilópolis e Seropédica.

Fuzis para a cúpula da facção

Segundo a PF, o grupo montou uma estrutura para obter, transportar e revender armas de forma ilegal. A lista inclui fuzis de uso restrito, revólveres, pistolas, carregadores e munição. Numa das negociações, os investigados teriam entregue dez fuzis AR-15 diretamente ao principal chefe da facção no Complexo de Israel.

Parte do pagamento seria feita com fuzis e equipamentos policiais, como comissão. O ex-servidor da Alerj foi preso num hotel na orla da Barra da Tijuca, onde os agentes dizem ter achado um fuzil. Outros dois fuzis foram apreendidos em outros endereços, segundo a Folhapress.

Dados sigilosos e extorsão

A investigação também aponta vazamento de informações. Segundo a PF, policiais e ex-policiais usavam o acesso a sistemas restritos do governo para repassar dados aos chefes da facção. Eram informações sobre mandados de prisão em aberto, endereços, placas de veículos e alvos de ações policiais.

Os dados serviriam para avisar comparsas e escapar da polícia. Também seriam usados em investigações clandestinas para extorquir criminosos, de acordo com a PF.

O dinheiro do esquema passaria por contas pessoais e de empresas de fachada. Segundo a PF, os investigados movimentaram mais de R$ 100 milhões em quatro anos, valor “manifestamente incompatível com as rendas declaradas”. A pedido do MPRJ, a Justiça bloqueou mais de R$ 250 milhões em bens, segundo a Folhapress.

Quem não foi encontrado

Dois alvos de mandado de prisão não foram encontrados, segundo a Folhapress. Um é Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como chefe do TCP, que não foi localizado. O outro é um policial civil, considerado foragido.

O MPRJ já denunciou dez pessoas por organização criminosa armada, comércio ilegal de armas e munição, violação de sigilo funcional, usura e lavagem de dinheiro. A denúncia é a acusação formal. Cabe à Justiça decidir se a aceita e abre uma ação penal.

O que diz a Polícia Militar: A Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que sua Corregedoria participou da operação e que vai abrir processo administrativo disciplinar sobre a conduta de dois policiais. Segundo a Folhapress, a corporação disse que “não tolera crimes ou desvios de seus integrantes”. As defesas dos presos não foram localizadas pelos veículos consultados, e a Alerj disse que não comenta ações policiais sem relação com o Parlamento.

O caso expõe dois riscos para a segurança pública. Armas que deveriam estar sob controle do Estado chegam às mãos de facções. E dados sigilosos, que sustentam o trabalho da polícia, podem virar mercadoria para o crime.

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