Segurança públicaViolência Contra a Mulher

Mulher Segura prendeu 57,8 mil agressores em 141 dias, diz ministério

Balanço do Ministério da Justiça soma 57.790 presos desde 1º de junho, 85% em flagrante. Em 2025, o país teve 1.571 feminicídios, alta de 4,5%.

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Fachada branca de delegacia de dois andares, com o brasão da Polícia Civil de São Paulo e a inscrição 1ª Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher, sob céu azul.
Fachada da 1ª Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher, da Polícia Civil paulista, onde são registrados casos de violência contra mulheres (foto de arquivo).Foto: Governo do Estado de São Paulo / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Operação Mulher Segura prendeu 57.790 agressores de mulheres em 141 dias, segundo balanço do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) divulgado na segunda-feira (19). A edição começou em 1º de junho de 2026, segundo o SBT News. Dá uma média de cerca de 410 prisões por dia, pelo cálculo da redação.

A operação é coordenada pelo MJSP e reúne as polícias dos estados. O ritmo é maior que o de uma fase anterior, de fevereiro e março. Naquela fase de 15 dias, foram 4.936 presos, cerca de 329 por dia, segundo a CNN Brasil.

Quase todas as prisões foram em flagrante

O balanço separa as prisões por origem. A prisão em flagrante acontece no momento do crime ou logo depois. A prisão por mandado cumpre uma ordem da Justiça, como a de prisão preventiva, decretada antes do julgamento.

De cada 100 presos na operação, 85 foram pegos em flagrante Presos por tipo de prisão, de 1º de junho a 19 de outubro de 2026

Tipo de prisão Presos Parte do total
Em flagrante 49.123 85%
Por mandado judicial 8.661 15%
Total divulgado 57.790 100%

Fonte: MJSP, segundo o SBT News (19/10/2026). As duas categorias somam 57.784, seis a menos que o total divulgado. Percentuais arredondados. Elaboração: redação.

O crime mais comum foi a lesão corporal, com 16.644 casos, segundo o SBT News. Isso é cerca de 29% do total. Em seguida vem o descumprimento de medida protetiva, com 4.949 casos, cerca de 9%. Medida protetiva é a ordem judicial que obriga o agressor a se afastar da vítima.

Descumprir essa ordem é crime próprio desde 2018, pelo artigo 24-A da Lei Maria da Penha. Em 2024, a pena passou a ser de reclusão de 2 a 5 anos, além de multa. Por isso, a quebra da medida pode levar à prisão em flagrante mesmo sem nova agressão física.

O peso do flagrante cresceu. Na fase de fevereiro e março, 65% das prisões tinham sido em flagrante, segundo a CNN Brasil. Na edição atual, são 85%. Os balanços não explicam a diferença, e as duas fases têm durações muito distintas.

Prender não é o mesmo que reduzir mortes

Os números de prisão e os de feminicídio medem coisas diferentes. A operação conta quem foi preso. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), conta as mulheres mortas por serem mulheres.

Segundo o Anuário 2026, citado pelo Poder360, o país registrou 1.571 feminicídios em 2025. Foram 67 a mais que os 1.504 de 2024, uma alta de 4,5%. É o maior número em dez anos, segundo a reportagem.

Prisão também não é condenação. Quem é preso em flagrante ou por mandado tem direito de defesa, e o processo pode terminar sem condenação.

O que diz o Ministério da Justiça e Segurança Pública: O ministério divulgou o balanço de 57.790 presos em 141 dias na segunda-feira (19), segundo o SBT News. A reportagem não traz declaração do ministro ou da pasta sobre os resultados.

O que isso significa

O balanço mostra uma operação de grande escala, com mais de 400 prisões por dia. Ele não mostra, sozinho, se a violência contra a mulher caiu. O Anuário é anual, e os feminicídios de 2026 só devem aparecer na próxima edição. Até lá, a comparação possível é com 2025, quando as mortes subiram.

Como fizemos: Usamos o balanço do MJSP de 19 de outubro de 2026, publicado pelo SBT News; o balanço de 19 de fevereiro a 5 de março de 2026, publicado pela CNN Brasil; e os números de feminicídio do Anuário 2026, citados pelo Poder360. Os dados foram acessados em 21 de outubro de 2026. O comunicado oficial do ministério não pôde ser aberto no site do governo. Cálculos próprios: 57.790 ÷ 141 ≈ 410 por dia; 4.936 ÷ 15 ≈ 329 por dia; as parcelas de 85%, 15%, 29% e 9% sobre 57.790; 3.199 ÷ 4.936 ≈ 65%; e 67 ÷ 1.504 ≈ 4,5%. A diferença de seis presos entre as categorias e o total vem do próprio balanço divulgado.

Fontes