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PF cumpre 36 mandados contra contrabando de eletrônicos em SP

Operação Dux, deflagrada na terça-feira (20), investiga rede com movimentações acima de R$ 460 milhões em cinco cidades do interior paulista.

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Pacotes de cigarros contrabandeados apreendidos em um barco de pesca no litoral do Pará, durante ação conjunta da Marinha e da Polícia Federal.
Cigarros contrabandeados apreendidos pela Marinha e pela Polícia Federal no Pará, em 2024 (foto de arquivo, sem relação direta com a Operação Dux).Foto: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Na terça-feira (20), a Polícia Federal (PF) cumpriu 36 mandados de busca e apreensão contra uma rede clandestina de importação de eletrônicos. As buscas foram feitas em São José do Rio Preto, Catanduva, Olímpia, Severínia e Franca, no interior de São Paulo.

A ação, chamada Operação Dux, mobilizou cerca de 130 policiais federais, segundo o Diário da Região. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Federal de São José do Rio Preto. Segundo a PF, as movimentações financeiras ligadas ao grupo superam R$ 460 milhões.

Um mandado de busca e apreensão autoriza a polícia a entrar em um local para recolher provas. A operação não acusou ninguém em juízo. Os alvos são investigados, ou seja, ainda não há denúncia nem condenação.

Contrabando e descaminho não são a mesma coisa

A PF cita dois crimes ligados ao comércio exterior. Contrabando é importar ou exportar mercadoria proibida. Descaminho é fugir do pagamento de imposto sobre mercadoria que poderia entrar no país legalmente.

Desde 2014, uma lei separou os dois crimes em artigos diferentes do Código Penal. Segundo a PF, os investigados poderão responder por eles, conforme a participação de cada um.

Seguir o dinheiro: laranjas e bens bloqueados

A PF afirma que o grupo usava empresas e pessoas sem capacidade financeira compatível com as operações. Essas pessoas são chamadas de “laranjas”. Elas aparecem como donas de bens que, na prática, pertencem a outros.

Esconder a origem de valores para que pareçam legais é lavagem de dinheiro. A Justiça determinou a indisponibilidade de bens e valores dos investigados, o que impede que sejam vendidos ou transferidos. Também mandou suspender perfis em redes sociais usados para vender os aparelhos.

Quem perde com o contrabando

O produto contrabandeado compete com a indústria que paga impostos e emprega no Brasil. Ele pode custar menos ao consumidor porque não paga o imposto devido.

Em 2024, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) estimou que o governo deixaria de arrecadar cerca de R$ 4 bilhões por ano com a evasão fiscal de smartphones. A entidade também projetou a perda de 10 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Os dados são da CNN Brasil, que cita a associação.

Segundo a consultoria IDC, um em cada quatro smartphones vendidos no Brasil no último trimestre de 2023 foi contrabandeado. Esses números são nacionais e anteriores à operação. Eles não medem o efeito da rede investigada.

A nota da PF não traz o valor dos impostos sonegados nem o número de empregos afetados. Por isso, não é possível dizer quanto esta rede custou ao país.

O que diz a Polícia Federal: Em comunicado publicado no site gov.br, a PF descreveu a operação e disse que os investigados poderão responder por contrabando, descaminho, organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a participação de cada um. Nenhuma defesa dos investigados aparece nas reportagens consultadas.

O que isso significa

A operação está na fase de investigação. Nas fontes consultadas, não há denúncia do Ministério Público. Se ela vier, caberá à Justiça Federal decidir se aceita a acusação e abre processo.

Os números vêm da própria polícia e de reportagens do dia. Dados sobre tributos devidos e sobre os produtos apreendidos ainda não foram divulgados. Sem eles, o prejuízo real segue sem medida.

Como fizemos: Usamos o comunicado da PF publicado em 20/10/2026 no site gov.br, as reportagens do Diário da Região e da Região Noroeste do mesmo dia, e a reportagem da CNN Brasil com estimativas da Abinee (2024) e dados da IDC (2023). Os dados foram acessados em 22/10/2026. Não há cálculo próprio nesta matéria. As estimativas sobre celulares são de anos anteriores e não medem esta operação.

Fontes