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Flávio se diz "surpreso" com a prisão dos aliados
O candidato diz ter sido surpreendido com as prisões de Canella e Bacellar, mas a PF indiciou Bacellar em fevereiro, oito meses antes.
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Nesta sexta-feira (16), Flávio Bolsonaro (PL) disse ter sido surpreendido com as prisões de aliados no Rio de Janeiro, segundo a CNN Brasil. A reportagem cita dois nomes: Márcio Canella (União), preso pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira (15), e Rodrigo Bacellar (União). Segundo o Metrópoles, o candidato também disse que os acusados têm direito de defesa.
Na mesma fala, Flávio afirmou que quem tiver ligação comprovada com o Primeiro Comando da Capital (PCC) ou com o Comando Vermelho (CV) deve pagar “dentro da lei”. A frase é correta. O problema está na palavra que veio antes: surpresa.
O que já se sabia
Comece por Bacellar. Em maio de 2025, Flávio sinalizou apoio a ele como sucessor do governador Cláudio Castro, segundo o Diário do Rio. Bacellar era o candidato que o PL planejava lançar ao governo do Rio.
Em fevereiro de 2026, a PF indiciou o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Segundo a PF, ele vazou ao CV informações sobre a Operação Zargun. O relatório final da corporação diz que Bacellar ocupava a liderança do “núcleo político” da facção, como publicou o Jornal do Brasil. Ele foi denunciado por obstrução e voltou a ser preso em março.
Ou seja, a acusação mais grave contra Bacellar era pública desde fevereiro. Foram oito meses de noticiário antes da surpresa declarada nesta sexta. Seus advogados chamam a acusação de arbitrária, e ele não foi julgado. Mas nada disso era segredo.
Agora, Canella. Em abril de 2026, Flávio declarou “apoio integral, 100%” à candidatura dele ao Senado. Em julho, Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, anunciou que seria suplente do ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Depois, desistiu.
O suplente é quem assume a cadeira no Senado quando o titular se afasta. Não é um gesto protocolar: é dividir a chapa. A CartaCapital reuniu os elogios públicos de Flávio ao aliado que a PF acaba de prender.
Segundo a PF, Canella liderou um grupo que lavou cerca de R$ 7,6 bilhões por meio de postos de combustível, entre 2020 e 2026. Um áudio citado pela PF registra um capitão da polícia negociando barricadas com chefes do CV e dizendo ter influência sobre a prefeitura de Canella. Não foi localizada manifestação da defesa dele nas reportagens.
O que a frase acerta e o que ela evita
A parte certa da resposta merece registro. Prisão não é condenação. Os dois aliados têm direito de defesa, e as acusações ainda precisam ser provadas na Justiça. Este jornal defende esse princípio para qualquer acusado.
Também é preciso registrar o limite. Nenhuma prova documentada liga Flávio pessoalmente ao CV ou ao PCC. Na quinta-feira (15), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a remoção de uma publicação que associava Flávio a organizações criminosas, por falta de base factual. Uma semana antes, o TSE havia mandado apagar posts do próprio Flávio que ligavam Lula ao PCC e ao CV, pelo mesmo motivo.
O que a resposta evita é a pergunta sobre critério. Um presidente nomeia o ministro da Justiça e o diretor-geral da PF. Ele define as prioridades da política de segurança do governo federal. A capacidade de escolher bem as pessoas de confiança faz parte do cargo.
O plano de governo de Flávio fala outra língua quando trata do crime na favela. Ali, criminoso armado com fuzil será “abatido”. Para o soldado da facção, a promessa é de força. Para os aliados acusados pela PF, a resposta é surpresa e direito de defesa.
O que diz Flávio Bolsonaro: O candidato disse ter sido surpreendido com as prisões e afirmou que os acusados têm direito de defesa, segundo a CNN Brasil e o Metrópoles. Para ele, quem tiver ligação comprovada com o PCC ou o CV deve pagar “dentro da lei”.
Faltam nove dias para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. A surpresa pode ser sincera. Ainda assim, ela diz algo ao eleitor que se preocupa com segurança pública. Um candidato que se diz surpreso depois de oito meses de acusações públicas contra o nome que apoiava para o Rio pede, agora, o comando da PF do país inteiro.
Fontes
- Flávio diz que foi surpreendido com prisões de Canella e Bacellar — CNN Brasil
- Flávio se diz surpreso com prisão de aliados no RJ: “pagar dentro da lei” — Metrópoles
- Bacellar atua como liderança do núcleo político do Comando Vermelho, diz Polícia Federal — Jornal do Brasil
- Com apoio de Flávio Bolsonaro, Bacellar ganha força como sucessor de Castro no RJ — Diário do Rio
- Canella é investigado por vínculo com a milícia e acordos com o Comando Vermelho — TMC
- TSE mantém remoção de publicação que associa Flávio Bolsonaro a organizações criminosas — TSE
- Os elogios de Flávio Bolsonaro a Márcio Canella, preso pela PF — CartaCapital
- Segurança pública: veja as propostas de Flávio na íntegra — SBT News



