Segurança públicaFlávio Bolsonaro

Em 2019, Flávio votou para manter os decretos de armas do pai

Em 2019, Flávio votou para manter os decretos de armas do pai. O FBSP estima que 6.379 vidas poderiam ter sido poupadas sem eles, de 2019 a 2021.

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Flávio Bolsonaro, de terno azul-claro e gravata azul, sentado à bancada do Plenário do Senado, com a mão na testa.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à bancada no Plenário do Senado, em Brasília, em 1º de setembro de 2026.Foto: Carlos Moura / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 18 de junho de 2019, o Senado derrubou por 47 votos a 28 os decretos de Jair Bolsonaro que facilitavam o acesso a armas. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estava entre os 28 que votaram para mantê-los, segundo o registro publicado pelo O Tempo.

Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) estimou depois o custo daquela política. Segundo o FBSP, 6.379 vidas poderiam ter sido poupadas de 2019 a 2021 sem os decretos. Sete anos depois do voto, o candidato que promete “guerra” ao crime voltou a defender a arma na mão do cidadão.

O voto de 2019 e o que o estudo estimou

Os decretos tratavam de posse e de porte. Posse é ter a arma em casa ou no trabalho. Porte é poder andar com ela na rua. O projeto votado em 2019 anulava os decretos, e a maioria do Senado o aprovou.

O FBSP é uma organização de pesquisa que publica o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O estudo sobre os decretos encontrou uma relação entre armas e mortes. Segundo o Fórum, cada 1% a mais de armas em circulação está associado a 1,1% a mais de homicídios.

Associação não é prova de que cada morte veio de um decreto. Mas é o melhor dado disponível, e ele aponta numa direção só: mais armas em circulação acompanharam mais homicídios. As 6.379 vidas são a estimativa do próprio FBSP para o cenário sem os decretos.

Flávio ficou com a minoria que manteve os decretos; o FBSP estima 6.379 vidas Votação no Senado em 18 de junho de 2019 e estimativas do FBSP para 2019 a 2021

Dado Número
Votos para derrubar os decretos 47
Votos para mantê-los, entre eles o de Flávio 28
Vidas que poderiam ter sido poupadas, 2019–2021 (estimativa do FBSP) 6.379
Alta de homicídios associada a cada 1% a mais de armas 1,1%

Fontes: O Tempo (votação); FBSP (estudo sobre os decretos). Elaboração: redação.

Da defesa dos decretos à campanha de 2026

O tema voltou na campanha. Em 7 de outubro de 2026, Flávio defendeu que a autodefesa do cidadão armado precisa voltar. O plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém, só trata das armas das polícias, segundo o SBT News.

Ou seja, o candidato fala em armar o cidadão, mas o plano não diz como, nem com que controle. A política que ele defendeu em 2019 é justamente a que o FBSP associa a milhares de mortes. Nada nos resumos do plano publicados pelo SBT News responde a esse estudo.

O resto do pacote de segurança aposta em pena e prisão. Ele prevê cinco presídios de segurança máxima e 500 mil novas vagas em quatro anos, segundo o SBT News. Pesquisadores da UFC e da UFF ouvidos pela Folhapress chamam a proposta de populismo penal. Para eles, penas maiores e prisão em massa não reduziram o crime no passado.

O controle de armas e munições também aparece em outra frente. Em 16 de outubro, Flávio chamou de “detalhezinho” a mudança no projeto de lei 3.723/2019 que retira a marcação de munições, segundo o Metrópoles.

É justo registrar o que pesa a favor dele. Flávio votou sim ao projeto antifacção, aprovado por 64 votos a 0 no Senado em dezembro de 2025, segundo a Gazeta do Povo. Também há especialistas que veem valor em classificar facções como terroristas para facilitar o bloqueio de dinheiro.

O que diz Flávio Bolsonaro: Em 7 de outubro de 2026, ele defendeu que a autodefesa do cidadão precisa voltar. O plano de governo registrado no TSE trata das armas das polícias e não detalha regras para civis, segundo o SBT News.

O que isso significa

O histórico é público. Flávio votou para manter os decretos em 2019, e o FBSP estima 6.379 vidas que poderiam ter sido poupadas sem eles. Em 2026, ele volta a defender a arma na mão do cidadão, sem dizer no plano como fazer isso.

Para o eleitor que quer menos homicídios, essa é a conta que importa no domingo, 25 de outubro. A promessa de “lei e ordem” vem de quem defendeu a política que o estudo do FBSP associa a mais mortes.

Como fizemos: Usamos a votação registrada pelo O Tempo, o estudo do FBSP e reportagens do SBT News, do Metrópoles, da Gazeta do Povo e da Folhapress, acessados em 21 de outubro de 2026. As 6.379 vidas e a relação de 1,1% são estimativas do FBSP, sem cálculo nosso; a relação é uma associação estatística, não uma prova de causa. Não localizamos a transcrição completa da declaração de 7 de outubro, por isso ela aparece resumida, sem aspas.

Fontes