Crime organizadoFlávio Bolsonaro

PF pede mais 90 dias no caso Dark Horse de Flávio Bolsonaro

A PF pediu mais 90 dias para investigar Flávio no STF. Segundo a PF, mais de US$ 12 milhões saíram do país e só US$ 2,8 milhões têm registro de retorno.

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Flávio Bolsonaro, de terno cinza e gravata amarela, fala a um jornalista diante de uma câmera e de um microfone em um corredor.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concede entrevista, em foto de maio de 2022.Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 16 de outubro, a Polícia Federal (PF) pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mais 90 dias para concluir o inquérito sobre Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a PF, a diferença entre o dinheiro enviado ao exterior e o que tem registro de retorno ao Brasil é uma “divergência contábil severa”.

Flávio é investigado, não réu. Isso quer dizer que o caso está na fase de apuração, sem acusação formal aceita pela Justiça. As reportagens divergem sobre a data em que Mendonça o incluiu como investigado: 22 de julho ou 6 de agosto. Até esta data, não localizamos decisão de Mendonça sobre o pedido de prorrogação.

Quanto saiu e quanto voltou

O caso começou com um pedido de dinheiro. Segundo o The Intercept Brasil, o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, prometeu US$ 24 milhões para um filme sobre Jair Bolsonaro, chamado Dark Horse. Vorcaro foi preso em novembro de 2025.

Pela reportagem, ao menos US$ 10,6 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025. O dinheiro foi para a Havengate, um fundo do Texas, nos Estados Unidos, administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto. Segundo o Intercept, a Havengate estava inativa e tinha sido registrada em 2020 para um projeto imobiliário que nunca obteve licenças.

Mais de US$ 12 milhões saíram do Brasil; só US$ 2,8 milhões têm registro de retorno Valores em dólares, de fevereiro de 2025 a outubro de 2026

Etapa Valor (US$) Quem informa
Prometido por Vorcaro 24 milhões The Intercept Brasil
Pago entre fevereiro e maio de 2025 ao menos 10,6 milhões The Intercept Brasil
Rastreado depois 12,3 milhões The Intercept Brasil
Saiu do Brasil mais de 12 milhões PF
Com registro de retorno ao país 2,8 milhões PF

Fontes: The Intercept Brasil (13 de maio e 2 de julho de 2026); PF, segundo O Povo (18 de outubro de 2026). Valores arredondados.

A diferença entre o que saiu e o que voltou é o centro da investigação. Segundo O Povo, a PF classificou a divergência como “severa”. O inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, segundo a Agência Brasil. Eduardo Bolsonaro também é alvo da investigação, pela mesma reportagem.

Os três nomes têm sentido preciso. Lavagem é dar aparência legal a dinheiro de origem suspeita. Evasão de divisas é mandar dinheiro para fora do país sem declarar às autoridades. Corrupção é oferecer ou receber vantagem em troca do uso de um cargo público. Nenhum desses crimes foi atribuído a Flávio em denúncia até agora.

Inquérito é a fase em que a polícia reúne provas. Ao fim dele, a PF pode indiciar alguém ou arquivar o caso. Depois, cabe à Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se oferece denúncia ao STF.

Parte do rastreamento depende de dados fora do país. Para isso, a PF pediu ajuda aos Estados Unidos. Pela nossa conta, a diferença entre os dois valores divulgados pela PF é de mais de US$ 9 milhões. A PF não publicou esse número.

O que Flávio disse, e quando

Em 13 de maio de 2026, Flávio chamou a história de mentira logo de manhã. À noite, confirmou ter pedido um patrocínio privado para um filme particular. Disse que não ofereceu nada em troca e não usou dinheiro público, segundo o Poder360.

As mensagens do caso também pesam. Em 8 de setembro de 2025, ele cobrou Vorcaro por pagamentos atrasados. Em 16 de novembro de 2025, na véspera da prisão do banqueiro, escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre.”

Em 16 de outubro, ele mudou de tom. Disse que o dinheiro era privado e lícito, e que ser senador não lhe deu vantagem nenhuma. Atribui a diferença de valores a um contrato que, segundo ele, não foi cumprido.

O que diz Flávio Bolsonaro: Em 16 de outubro de 2026, afirmou que o dinheiro recebido de Vorcaro era privado e lícito, e que ser senador não deu nada ao banqueiro. Atribui a diferença entre os valores a um contrato que, segundo ele, não foi cumprido. Fonte: CNN Brasil.

O Aos Fatos, que checa declarações públicas, contou ao menos 43 declarações falsas de Flávio sobre Vorcaro.

O que isso significa

O que a PF documenta até agora é uma diferença de valores, não uma condenação. Mais de US$ 12 milhões saíram do país, e só US$ 2,8 milhões têm registro de retorno. Cabe à Justiça decidir se houve crime, e Flávio segue investigado.

Em 9 de outubro, a PF pediu ao Ministério da Justiça cooperação com os Estados Unidos para rastrear o dinheiro. Não encontramos resultado público desse pedido. Se Mendonça aceitar a prorrogação, a investigação segue por mais 90 dias, passando da data da eleição.

No domingo, 25 de outubro, o eleitor vota com o inquérito aberto e sem conclusão.

Como fizemos: Reunimos fatos de reportagens listadas em Fontes, acessados em 21 de outubro de 2026. Os valores em dólar são os divulgados pela PF e pelo The Intercept Brasil, sem conversão. Fizemos uma única conta própria: a diferença de mais de US$ 9 milhões é o total de “mais de US$ 12 milhões” menos US$ 2,8 milhões. O Intercept é um veículo com viés de esquerda, segundo nossa classificação, por isso cada dado dele aparece com atribuição. Não localizamos decisão de Mendonça sobre a prorrogação até esta data.

Fontes