Crime organizadoFlávio Bolsonaro
PF pede mais 90 dias no caso Dark Horse de Flávio Bolsonaro
A PF pediu mais 90 dias para investigar Flávio no STF. Segundo a PF, mais de US$ 12 milhões saíram do país e só US$ 2,8 milhões têm registro de retorno.
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Em 16 de outubro, a Polícia Federal (PF) pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mais 90 dias para concluir o inquérito sobre Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a PF, a diferença entre o dinheiro enviado ao exterior e o que tem registro de retorno ao Brasil é uma “divergência contábil severa”.
Flávio é investigado, não réu. Isso quer dizer que o caso está na fase de apuração, sem acusação formal aceita pela Justiça. As reportagens divergem sobre a data em que Mendonça o incluiu como investigado: 22 de julho ou 6 de agosto. Até esta data, não localizamos decisão de Mendonça sobre o pedido de prorrogação.
Quanto saiu e quanto voltou
O caso começou com um pedido de dinheiro. Segundo o The Intercept Brasil, o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, prometeu US$ 24 milhões para um filme sobre Jair Bolsonaro, chamado Dark Horse. Vorcaro foi preso em novembro de 2025.
Pela reportagem, ao menos US$ 10,6 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025. O dinheiro foi para a Havengate, um fundo do Texas, nos Estados Unidos, administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto. Segundo o Intercept, a Havengate estava inativa e tinha sido registrada em 2020 para um projeto imobiliário que nunca obteve licenças.
Mais de US$ 12 milhões saíram do Brasil; só US$ 2,8 milhões têm registro de retorno Valores em dólares, de fevereiro de 2025 a outubro de 2026
| Etapa | Valor (US$) | Quem informa |
|---|---|---|
| Prometido por Vorcaro | 24 milhões | The Intercept Brasil |
| Pago entre fevereiro e maio de 2025 | ao menos 10,6 milhões | The Intercept Brasil |
| Rastreado depois | 12,3 milhões | The Intercept Brasil |
| Saiu do Brasil | mais de 12 milhões | PF |
| Com registro de retorno ao país | 2,8 milhões | PF |
Fontes: The Intercept Brasil (13 de maio e 2 de julho de 2026); PF, segundo O Povo (18 de outubro de 2026). Valores arredondados.
A diferença entre o que saiu e o que voltou é o centro da investigação. Segundo O Povo, a PF classificou a divergência como “severa”. O inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, segundo a Agência Brasil. Eduardo Bolsonaro também é alvo da investigação, pela mesma reportagem.
Os três nomes têm sentido preciso. Lavagem é dar aparência legal a dinheiro de origem suspeita. Evasão de divisas é mandar dinheiro para fora do país sem declarar às autoridades. Corrupção é oferecer ou receber vantagem em troca do uso de um cargo público. Nenhum desses crimes foi atribuído a Flávio em denúncia até agora.
Inquérito é a fase em que a polícia reúne provas. Ao fim dele, a PF pode indiciar alguém ou arquivar o caso. Depois, cabe à Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se oferece denúncia ao STF.
Parte do rastreamento depende de dados fora do país. Para isso, a PF pediu ajuda aos Estados Unidos. Pela nossa conta, a diferença entre os dois valores divulgados pela PF é de mais de US$ 9 milhões. A PF não publicou esse número.
O que Flávio disse, e quando
Em 13 de maio de 2026, Flávio chamou a história de mentira logo de manhã. À noite, confirmou ter pedido um patrocínio privado para um filme particular. Disse que não ofereceu nada em troca e não usou dinheiro público, segundo o Poder360.
As mensagens do caso também pesam. Em 8 de setembro de 2025, ele cobrou Vorcaro por pagamentos atrasados. Em 16 de novembro de 2025, na véspera da prisão do banqueiro, escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre.”
Em 16 de outubro, ele mudou de tom. Disse que o dinheiro era privado e lícito, e que ser senador não lhe deu vantagem nenhuma. Atribui a diferença de valores a um contrato que, segundo ele, não foi cumprido.
O que diz Flávio Bolsonaro: Em 16 de outubro de 2026, afirmou que o dinheiro recebido de Vorcaro era privado e lícito, e que ser senador não deu nada ao banqueiro. Atribui a diferença entre os valores a um contrato que, segundo ele, não foi cumprido. Fonte: CNN Brasil.
O Aos Fatos, que checa declarações públicas, contou ao menos 43 declarações falsas de Flávio sobre Vorcaro.
O que isso significa
O que a PF documenta até agora é uma diferença de valores, não uma condenação. Mais de US$ 12 milhões saíram do país, e só US$ 2,8 milhões têm registro de retorno. Cabe à Justiça decidir se houve crime, e Flávio segue investigado.
Em 9 de outubro, a PF pediu ao Ministério da Justiça cooperação com os Estados Unidos para rastrear o dinheiro. Não encontramos resultado público desse pedido. Se Mendonça aceitar a prorrogação, a investigação segue por mais 90 dias, passando da data da eleição.
No domingo, 25 de outubro, o eleitor vota com o inquérito aberto e sem conclusão.
Como fizemos: Reunimos fatos de reportagens listadas em Fontes, acessados em 21 de outubro de 2026. Os valores em dólar são os divulgados pela PF e pelo The Intercept Brasil, sem conversão. Fizemos uma única conta própria: a diferença de mais de US$ 9 milhões é o total de “mais de US$ 12 milhões” menos US$ 2,8 milhões. O Intercept é um veículo com viés de esquerda, segundo nossa classificação, por isso cada dado dele aparece com atribuição. Não localizamos decisão de Mendonça sobre a prorrogação até esta data.
Fontes
- Intercept — áudio: Flávio negociou com Vorcaro milhões
- Intercept — fundo Havengate abandonou projeto antes de milhões de Vorcaro
- Poder360 — Flávio confirma pedido de dinheiro a Vorcaro, mas diz que era privado
- Agência Brasil — Mendonça incluiu Flávio Bolsonaro como investigado no caso Dark Horse
- CNN Brasil — PF aciona MJ por cooperação com EUA para rastrear dinheiro de Dark Horse
- O Povo/DW — “Dark Horse”: PF aponta divergência “severa” entre recursos enviados ao exterior
- CNN Brasil — Flávio diz que dinheiro de Vorcaro para Dark Horse era lícito e privado
- Aos Fatos — Flávio mentiu ao menos 43 vezes sobre envolvimento com Vorcaro



