Crime organizadoMárcio Canella

Flávio tirou a mãe da chapa de Canella após prisão em julho

Anunciada como suplente de Canella em fevereiro, Rogéria Bolsonaro saiu da chapa em julho; em outubro, a PF prendeu o ex-prefeito de novo.

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Flávio Bolsonaro, de terno cinza e gravata amarela, dá entrevista a um cinegrafista e a uma repórter em um corredor.
O senador Flávio Bolsonaro concede entrevista em um corredor do Senado, em Brasília, em maio de 2022 (foto de arquivo).Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em abril de 2026, o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), declarou “apoio integral, 100%” ao amigo Márcio Canella. Canella, do União Brasil, era então pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro. Em 15 de outubro, a Polícia Federal (PF) prendeu Canella de novo, na 8ª fase da Operação Unha e Carne.

A candidatura de Canella ao Senado durou de fevereiro a agosto. A primeira prisão, em julho, marcou a virada. A segunda veio depois que ele já tinha deixado a disputa.

Canella é ex-prefeito de Belford Roxo, município da Baixada Fluminense. Segundo a CNN Brasil, ele foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio neste ano. Em julho, a PF o prendeu com um fuzil no carro, segundo a SBT News. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o soltou três dias depois.

Canella não é o único caso citado. Em fevereiro, a PF indiciou Rodrigo Bacellar (União Brasil), etapa em que a polícia conclui o inquérito e atribui um crime a alguém. A suspeita é de que ele repassou dados sigilosos ao Comando Vermelho (CV). Ele voltou a ser preso em 27 de março, por ordem do STF, e a defesa considerou a medida indevida e desnecessária, segundo a CNN Brasil.

O que a PF diz sobre o aliado

Segundo a PF, o grupo de Canella usava postos de combustíveis para ocultar recursos de origem ilícita, a chamada lavagem de dinheiro. O esquema movimentou R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026, segundo a investigação. Dividido por sete anos, o total dá cerca de R$ 1,1 bilhão por ano. A CNN Brasil fala em seis anos; nesse caso, a média sobe para cerca de R$ 1,3 bilhão.

A PF cita também um áudio. Nele, um capitão da Polícia Militar negocia a retirada de barricadas com chefes do CV e diz ter influência sobre a prefeitura gerida por Canella. É a palavra do capitão na gravação, não um fato provado, e a investigação precisa esclarecer o caso.

Canella é investigado, e ainda não foi julgado. Prisão não é condenação, e ele tem direito de defesa. Em julho, a defesa afirmou que a arma era legalizada e estava registrada em nome de um segurança, que é policial. Sobre a prisão de outubro, as reportagens consultadas não trazem manifestação da defesa.

Da suplência à desistência

Em 24 de fevereiro, o PL anunciou Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, como primeira suplente da chapa ao Senado no Rio. Suplente é quem assume a vaga se o titular se afastar; ela integraria a candidatura de Canella. No fim de julho, depois da prisão, Flávio decidiu que a mãe não seria mais suplente.

Segundo a SBT News, Rogéria passou a disputar vaga na Câmara; dirigentes do partido, sob anonimato, disseram que a mudança evitava novos desgastes à candidatura do filho. Em 3 de agosto, Canella desistiu do Senado e passou a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Menos de um mês separou a primeira prisão da desistência. A tabela abaixo reúne as datas.

Canella deixou a disputa ao Senado menos de um mês após a primeira prisão Principais datas de 2026, de fevereiro a outubro

Data O que aconteceu
24 de fevereiro PL anuncia Rogéria Bolsonaro como primeira suplente da chapa ao Senado no Rio
Abril Flávio declara “apoio integral, 100%” a Canella, então pré-candidato ao Senado
7 de julho PF prende Canella com um fuzil no carro, na 6ª fase da Operação Unha e Carne
10 de julho Moraes manda soltar Canella, com tornozeleira eletrônica
29 de julho Flávio decide que a mãe não será mais suplente e disputará vaga na Câmara
3 de agosto Canella desiste da candidatura ao Senado e passa a disputar vaga na Alerj
15 de outubro PF prende Canella de novo, na 8ª fase da Operação Unha e Carne

Fonte: SBT News, CartaCapital e CNN Brasil. Elaboração: redação.

Da surpresa ao “dentro da lei”

Na sexta-feira (16), Flávio disse ter sido surpreendido com as prisões de aliados no Rio, segundo a CNN Brasil. Ele afirmou que quem tiver envolvimento comprovado com o Primeiro Comando da Capital (PCC) ou com o CV deve pagar “dentro da lei”, segundo o Metrópoles. O plano de governo diz que PCC, CV, milícias e “todas as outras facções” serão declaradas “organizações narcoterroristas”.

O que diz Flávio Bolsonaro: Ele disse ter sido surpreendido com as prisões e afirmou que os acusados têm direito de defesa, segundo a CNN Brasil. Para ele, quem tiver envolvimento comprovado com PCC ou CV deve pagar “dentro da lei”, segundo o Metrópoles.

O que isso significa

As datas mostram que a aliança pública recuou depois da primeira prisão. Nas fontes consultadas, não há documento que ligue Flávio pessoalmente ao CV. Em outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a remoção de uma postagem que fazia essa ligação sem base factual mínima.

Em aberto estão a investigação da PF e a resposta da defesa à acusação de outubro. O segundo turno da eleição está marcado para 25 de outubro. Canella não foi condenado, e as acusações ainda precisam ser provadas na Justiça.

Como fizemos: Reunimos datas e declarações de reportagens da CNN Brasil, CartaCapital, TMC, Metrópoles, SBT News e Poder360, além do plano de governo de Flávio, acessados em 20 de outubro de 2026. O total de R$ 7,6 bilhões é da PF, citado pela imprensa; a média anual é nosso cálculo, com o total dividido por sete anos (2020 a 2026) ou por seis anos (conta da CNN Brasil), sem correção pela inflação. A página do TSE não abriu no acesso automático, e a decisão foi conferida em resumos de busca. Os dados não mostram se as acusações serão confirmadas na Justiça nem as razões políticas de cada decisão.

Correção: Uma versão anterior deste texto dizia que Rogéria Bolsonaro anunciou em julho que seria suplente de Canella e depois desistiu. O correto é que a indicação foi anunciada em fevereiro e que, em julho, Flávio decidiu que ela não seria mais suplente. A versão também dizia que a chapa existia até a prisão de outubro; Canella deixou a disputa ao Senado em agosto. Por fim, a versão dizia que Flávio apoiava Rodrigo Bacellar para suceder Cláudio Castro. Essa informação não foi confirmada e foi retirada.

Fontes