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Indicador MVI soma quatro tipos de morte para comparar estados
As mortes violentas intencionais reúnem homicídios, latrocínios, lesões seguidas de morte e mortes pela polícia. Em 2025, foram 40.775, segundo o FBSP.
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O Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais (MVI) em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O número caiu 8,2% em relação a 2024. A taxa foi de 19,1 mortes por 100 mil habitantes, a menor da série, que começa em 2012.
O Anuário é publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), uma organização da sociedade civil, e saiu em 23 de julho de 2026. A MVI é o principal indicador do relatório. Foi criada pelo próprio FBSP e apareceu pela primeira vez no 9º Anuário, de 2015.
O que entra na conta
A MVI soma as vítimas de quatro categorias, todas com intenção definida. Os números de 2025 são do Anuário:
- Homicídio doloso, quando alguém mata de propósito ou assume o risco de matar: 32.914 vítimas. Os feminicídios estão incluídos aqui.
- Latrocínio, o roubo seguido de morte: 807 vítimas.
- Lesão corporal seguida de morte, quando a agressão não buscava matar, mas matou: 659 vítimas.
- Mortes decorrentes de intervenção policial, em serviço ou de folga: 6.602 vítimas, alta de 5,4%.
Os policiais assassinados, 139 em 2025, já estão dentro dos homicídios. O Anuário os mostra à parte só para medir o fenômeno.
As três primeiras categorias formam outro indicador, os Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI). A MVI acrescenta a eles as mortes causadas pela polícia. Esse acréscimo pesa: em 2025, essas mortes foram 16,2% do total, ou uma em cada seis.
Ficam de fora as mortes sem intenção, como os homicídios culposos no trânsito, e os suicídios. Também não entram as mortes violentas cuja causa não foi esclarecida.
Por que comparar estados pela MVI
Cada estado registra e classifica as mortes do seu jeito. Em Minas Gerais, por exemplo, as mortes por intervenção policial já vêm somadas aos homicídios, segundo nota do Anuário. Por isso, o total não é a soma simples das quatro linhas.
Quando se olha só para o homicídio doloso, essas diferenças distorcem a comparação. Somar todas as mortes intencionais reduz o efeito de cada regra local. O FBSP afirma que essa agregação é “fundamental para um panorama mais completo” da violência letal.
A comparação também exige a taxa por 100 mil habitantes, porque os estados têm populações muito diferentes. Em 2025, as maiores taxas foram as do Amapá (42,5), da Bahia (36,8) e do Ceará (34,7). As menores foram as de Santa Catarina (7,6), São Paulo (7,8) e Distrito Federal (9,6).
O indicador também mostra para onde a violência se move. Em 2025, as MVI subiram em sete unidades da federação, entre elas Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro. No Rio, as mortes pela polícia foram 20,5% do total do estado, segundo o Anuário.
O que diz o FBSP: Na nota metodológica do Anuário, o fórum define a MVI como a soma das vítimas de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais. Segundo o texto, a categoria “representa o total de vítimas de mortes violentas com intencionalidade definida de determinado território”.
A MVI depende dos registros das polícias estaduais, e por isso herda as falhas deles. Ainda assim, é a medida mais ampla de mortes intencionais que esses registros oferecem. O dado de 2025 traz uma boa notícia e um alerta: a violência geral caiu, mas as mortes causadas pela polícia aumentaram.



