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Sinesp, Anuário, Atlas e SIM contam a violência de jeitos diferentes

Registros policiais e atestados de óbito geram números diferentes para o mesmo ano. Veja de onde vem cada base, o que ela mede e onde consultar os dados.

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Fachada do bloco G da Esplanada dos Ministérios com a inscrição Ministério da Saúde; um cinegrafista caminha na calçada
Fachada do Ministério da Saúde, que mantém o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e o DataSUS, em Brasília, em março de 2020 (foto de arquivo).Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado / Flickr (CC BY 2.0)

Em maio de 2026, o Atlas da Violência informou que o Brasil teve 42.590 homicídios em 2024. Em 23 de julho, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública contou 44.220 mortes violentas intencionais no mesmo ano. Nenhum dos dois errou: eles medem coisas diferentes, com fontes diferentes.

Quem acompanha o noticiário sobre violência esbarra sempre em quatro nomes: Sinesp, Anuário, Atlas e SIM. Saber de onde vem cada número ajuda a entender por que eles nem sempre batem.

Registro policial: Sinesp e Anuário

O Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) é a base de dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Os estados e o Distrito Federal informam ao ministério 28 indicadores, como homicídio doloso, latrocínio e feminicídio. Os números saem dos registros das polícias, como os boletins de ocorrência.

Os dados ficam abertos em painéis no site do ministério. A Lei 13.675, de 2018, obriga os estados a alimentar o sistema.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), uma organização da sociedade civil. A 20ª edição, lançada em julho de 2026, traz dados de 2025. O fórum também trabalha com registros policiais, obtidos nas secretarias estaduais de segurança e nas polícias. O relatório e as planilhas são gratuitos no site do FBSP.

Atestado de óbito: SIM e Atlas

O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, nasce de outro documento: a declaração de óbito, preenchida por um médico. Cada morte recebe um código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), que indica a causa. Qualquer pessoa pode montar tabelas no Tabnet, ferramenta on-line do DataSUS.

O Atlas da Violência é feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com o FBSP. Ele usa principalmente o SIM. Para contar homicídios, soma as mortes causadas por agressão, por intervenção legal e por operações de guerra. As vítimas são contadas no estado onde moravam, segundo a nota técnica do estudo.

Por que os números não batem

A diferença principal está no método. A polícia classifica o caso pelo tipo de crime, no momento do registro. A saúde classifica a morte pela causa médica. Quando não dá para saber se houve intenção, a morte entra como “causa indeterminada”.

Esse grupo pesa. Em 2024, 17.207 mortes violentas ficaram sem causa definida, alta de 23,8% em um ano, segundo o Atlas. Por isso, o estudo também estima quantos “homicídios ocultos” existem nesse grupo.

Outra diferença é o tempo. O Anuário de 2026 já trouxe dados de 2025. O Atlas de 2026, que depende do SIM, chegou só até 2024.

O que diz o Ministério da Justiça: Segundo a página de estatísticas do Sinesp, os indicadores “são informados pelos Estados e pelo Distrito Federal”. O ministério avisa que os números refletem o que cada estado inseriu no momento da consulta e podem ser atualizados depois.

Nenhuma base é perfeita. Os registros policiais chegam antes, mas dependem de como cada estado classifica os casos. Os dados da saúde demoram mais, mas seguem uma classificação internacional. Ao ler uma estatística, vale conferir três coisas: de onde ela veio, a que ano se refere e se conta crimes ou vítimas.

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