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Taxa por 100 mil habitantes revela o risco que o total esconde

Rio e São Paulo tiveram números parecidos de mortes violentas em 2025, mas taxas muito diferentes. Veja como fazer a conta e quais cuidados tomar.

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Recenseador do IBGE, de colete azul com a logomarca do instituto, crachá e celular nas mãos, em uma rua residencial
Recenseador do IBGE durante a coleta de dados do Censo Demográfico 2022, realizada em 2023 (foto de arquivo).Foto: Friduxa / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 2025, o Rio de Janeiro registrou 3.890 mortes violentas intencionais, e São Paulo, 3.615. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. Os totais são parecidos, mas a taxa do Rio foi de 22,6 por 100 mil habitantes, quase o triplo da paulista, de 7,8.

A explicação é simples: São Paulo tem muito mais moradores. O número absoluto conta os casos. A taxa mostra o risco que cada morador corre.

Como fazer a conta

A fórmula é dividir o número de casos pela população e multiplicar o resultado por 100 mil. Usa-se 100 mil para evitar números pequenos demais, cheios de zeros depois da vírgula.

Veja um exemplo hipotético, com números redondos. A cidade A tem 200 mil habitantes e teve 40 homicídios em um ano. A conta é 40 dividido por 200 mil, que dá 0,0002. Multiplicado por 100 mil, o resultado é uma taxa de 20 por 100 mil.

A cidade B, também hipotética, tem 1 milhão de habitantes e teve 100 homicídios. A conta dá 10 por 100 mil. A cidade B teve mais mortes, mas o risco de cada morador é a metade do risco na cidade A.

A mesma lógica vale para grupos específicos. O Anuário calcula a taxa de feminicídio por 100 mil mulheres, por exemplo. Em 2025, ela foi de 1,4.

Cuidado com cidades pequenas

Em lugares com pouca gente, um único caso muda muito a taxa. Outro exemplo hipotético: uma cidade de 5 mil habitantes com um homicídio no ano tem taxa de 20 por 100 mil. Se houver três mortes, a taxa vai a 60 por 100 mil.

Isso não quer dizer que a cidade ficou três vezes mais violenta. Pode ter sido um único episódio, com várias vítimas. O Atlas da Violência 2026, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostra essa variação. Entre os 5.234 municípios que o estudo classifica como pequenos, 1.578 não tiveram homicídio estimado em 2024. Outros 477 tiveram taxa igual ou superior a 50 por 100 mil.

Para cidades pequenas, vale olhar a média de vários anos e também os números absolutos.

Cuidado com anos e fontes diferentes

A população muda de um ano para outro. Por isso, a taxa de cada ano precisa usar a população daquele ano. O Anuário usa as estimativas anuais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com data de referência em 1º de julho.

As estimativas dependem do último Censo. O Censo 2022 contou cerca de 203,1 milhões de pessoas, menos do que as projeções feitas antes dele. Depois do Censo, o IBGE revisou suas estimativas mais de uma vez. Ao comparar estudos antigos e novos, vale checar qual população cada um usou.

Também não se deve misturar fontes. Para 2024, o Atlas, baseado em atestados de óbito, apontou 20,1 homicídios por 100 mil habitantes. O Anuário, baseado em registros policiais, apontou 20,8 mortes violentas intencionais por 100 mil. São medidas diferentes.

O que diz o Atlas da Violência: Segundo o relatório de 2026, “nos municípios pequenos, a interpretação das taxas exige cautela, já que eventos pontuais podem inflar fortemente o indicador em localidades de baixa população”.

A taxa por 100 mil é a ferramenta básica para comparar a violência entre lugares e anos. Ela só funciona bem quando o leitor sabe de onde vêm os casos, qual população foi usada e quantos eventos existem por trás de cada número.

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