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Só 3 em cada 10 furtos em casa chegam à polícia, diz IBGE
Pesquisas de vitimização mostram que boa parte dos crimes nunca vira boletim de ocorrência, sobretudo furtos, fraudes e violência sexual.
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Só 31,4% das vítimas de furto em casa procuraram a polícia ou a guarda municipal, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. No furto de bicicleta, foram 28,5%. Os dados se referem aos 12 meses anteriores às entrevistas, feitas no fim de 2021.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fez a pesquisa com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O resultado ajuda a entender um problema antigo: a subnotificação, ou seja, os crimes que acontecem mas não chegam às estatísticas oficiais.
Por que os registros não bastam
As estatísticas de segurança nascem dos boletins de ocorrência. Se a vítima não vai à polícia, o crime não entra na conta. Os especialistas chamam essa parte invisível de “cifra oculta”.
A forma de medi-la é a pesquisa de vitimização. Entrevistadores perguntam a uma amostra da população se ela sofreu crimes e se avisou a polícia. Assim, é possível comparar o que aconteceu com o que foi registrado.
As pesquisas brasileiras
O Brasil tem poucas pesquisas desse tipo. O IBGE incluiu o tema na PNAD de 2009, com um suplemento sobre vitimização e acesso à Justiça.
A Pesquisa Nacional de Vitimização foi feita entre 2010 e 2012 pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Os parceiros foram o Datafolha e o Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), da UFMG. A PNAD Contínua tratou de furtos e roubos em 2021, pela primeira vez.
Quais crimes ficam mais escondidos
Os resultados mostram um padrão. Na PNAD Contínua, houve procura pela polícia em 80,3% dos furtos de carro e em 91% dos roubos de carro. Segundo o IBGE, isso pode ser explicado pelo valor dos veículos e pelo seguro, que exige o registro policial.
Furtos menores ficam no escuro. Na Pesquisa Nacional de Vitimização, só 22% das vítimas de furto de objetos foram a uma delegacia. Nas fraudes, cerca de 12% das vítimas avisaram a polícia.
As agressões e a violência sexual estão entre os crimes mais escondidos. Na mesma pesquisa, só 17% de quem relatou agressão ou ameaça deu queixa. Entre as vítimas de ofensas sexuais, foram 7,5%.
O motivo também foi pesquisado. Na PNAD Contínua, as vítimas de furto que não procuraram a polícia citaram principalmente “falta de provas” (24,1%) e “não acreditava na polícia” (23,6%). Nos roubos, “não acreditava na polícia” liderou, com 26,9%.
O problema continua. Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) saiu em março de 2026. Ela estimou que 26,3 milhões de pessoas sofreram golpes ou perderam dinheiro pela internet ou pelo celular em 12 meses. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 vê nisso sinal de uma “enorme subnotificação” nos registros policiais.
O que diz o IBGE: No informativo da pesquisa, o instituto afirma que “diversos crimes não são registrados nas delegacias de polícia”. Segundo o IBGE, isso “torna a pesquisa domiciliar essencial para entender e dimensionar corretamente a vitimização do País”.
A subnotificação muda a leitura dos números. Uma alta nos registros pode significar mais crimes ou apenas mais vítimas denunciando. O próprio Anuário de 2026 aponta que a queda nos registros de estupro em 2025 pode refletir menos denúncias, e não menos violência. Sem pesquisas de vitimização regulares, o país continua sem saber o tamanho real do problema.
Fontes
- Vitimização: furtos e roubos 2021, PNAD Contínua (informativo) — IBGE
- PNAD Contínua, edição de vitimização 2021 — IBGE
- Suplementos da PNAD: vitimização e justiça 2009 — IBGE
- Estudos sobre Vitimização, Pesquisa Nacional de Vitimização (PDF) — Senasp/Ministério da Justiça e Segurança Pública
- Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (PDF) — FBSP



