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Desemprego cai para 5,3% e renda real sobe 3,7% em um ano

Dados do IBGE, do Ministério do Trabalho e do Banco Central mostram emprego e renda em alta, com juros altos e consumo em queda no trimestre.

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Dois trabalhadores da construção refazem uma calçada: um segura uma pá, o outro se agacha ao lado de um balde amarelo, com uma moto vermelha ao fundo
Trabalhadores da construção refazem uma calçada em rua de centro urbano.Foto: VazioUrbano / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026. O IBGE divulgou o dado em 29 de setembro. No mesmo período de 2025, a taxa era de 5,6%.

Nesta segunda-feira (26), a atenção se voltou para a Bolsa. Mas a Bolsa mede o preço das ações de empresas listadas na B3. Ela não mostra quantas pessoas trabalham nem quanto ganham.

Este texto usa os números oficiais mais recentes. A conclusão: emprego e renda melhoraram em um ano. Mas o consumo recuou, a dívida das famílias é alta e os juros seguem altos.

O emprego e a renda melhoraram em um ano

A PNAD Contínua é a pesquisa do IBGE que mede o mercado de trabalho. Ela ouve moradores de domicílios sorteados em todo o país. Cada resultado soma três meses.

No trimestre até agosto, 103,5 milhões de pessoas estavam ocupadas. É o maior número da série, iniciada em 2012. O rendimento médio real, já descontada a inflação, foi de R$ 3.777. O valor subiu 3,7% frente ao mesmo período de 2025.

Os dados de carteira assinada vêm de outra fonte. O Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), registrou saldo de 165.827 vagas formais em agosto. Saldo é a diferença entre contratações e demissões. Nos 12 meses até agosto, o saldo somou 887.708 vagas.

Produção e consumo dão sinais de freio

O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de tudo o que o país produz, cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 frente ao primeiro. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a alta foi de 2,0%. O IBGE divulgou o dado em 1º de setembro.

O consumo das famílias caiu 0,4% no mesmo trimestre frente ao anterior. É o gasto de quem compra comida, roupa e serviços. A queda coincide com juros altos. O dado sozinho não prova a causa, mas mostra onde a pressão aparece.

Inflação e juros pesam no bolso

O IPCA, índice oficial de inflação, subiu 0,82% em setembro. Em 12 meses, o acumulado chegou a 4,58%, acima do teto da meta de 4,5%. A habitação subiu 2,31%, puxada pela energia elétrica residencial, segundo o IBGE.

Para conter preços, o Banco Central (BC) usa a taxa Selic, a taxa básica de juros do país. Em 16 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Mesmo assim, o crédito segue caro. Em junho, a taxa média do crédito livre para pessoas físicas chegou a 64% ao ano.

Juros e dólar chegam ao preço final. Um dólar mais caro encarece produtos importados e insumos. Em maio, as dívidas das famílias equivaliam a 49,8% da renda anual. O comprometimento da renda com pagamentos chegou a 28,5%.

Números oficiais mais recentes da economia real Último dado divulgado até 26/10/2026, com o período de referência

Indicador Último dado Período de referência
Taxa de desocupação 5,3% Trimestre até agosto de 2026
Pessoas ocupadas 103,5 milhões Trimestre até agosto de 2026
Rendimento médio real R$ 3.777 Trimestre até agosto de 2026
Saldo do Caged 165.827 vagas Agosto de 2026
PIB +0,5% 2º trimestre de 2026, frente ao 1º
IPCA em 12 meses 4,58% Setembro de 2026
Juros do crédito livre (pessoas físicas) 64% ao ano Junho de 2026
Endividamento das famílias 49,8% da renda anual Maio de 2026

Fonte: IBGE (PNAD Contínua, PIB e IPCA), Ministério do Trabalho e Emprego (Novo Caged), Banco Central. Elaboração: redação.

O que diz o Banco Central: O comunicado do Copom de setembro diz que os indicadores mostram “moderação gradual da atividade econômica”, e que o mercado de trabalho segue “aquecido”. O texto foi reproduzido pelo Atlas Público, e não conferimos a versão integral no site do BC.

O que isso significa

Os números mostram um mercado de trabalho e uma renda melhores que em 2025. Também mostram sinais de freio: consumo em queda, inflação acima da meta, juros altos e dívida perto de metade da renda anual. A Bolsa reage a essas mesmas variáveis, mas não as substitui. Os próximos dados de emprego e inflação dirão se o quadro muda.

Como fizemos: Usamos dados do IBGE (PNAD Contínua, PIB e IPCA), do MTE (Novo Caged) e do Banco Central, lidos em reportagens que os citam, em 26/10/2026. As páginas oficiais não abriram no nosso acesso, e cada número foi conferido em mais de uma reportagem quando possível. Não fizemos cálculos próprios, além da diferença de 5,6% para 5,3% (0,3 ponto percentual). Não localizamos dados de setembro da PNAD nem do Caged até a publicação.

Fontes