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Bolsa devolveu todo o ganho de 7,7% após a vitória de Lula

Ibovespa subiu 7,70% após o 1º turno, com Flávio à frente. Depois da vitória de Lula, fechou 8,07% abaixo do nível de 2 de outubro.

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Fachada de pedra com três portões de ferro e a palavra BOVESPA em letras douradas, na entrada do prédio da bolsa de São Paulo.
Entrada do edifício-sede da B3, no centro de São Paulo, com a antiga marca Bovespa, em foto de fevereiro de 2017.Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na sexta-feira (2), véspera do primeiro turno, o Ibovespa fechou em 192.114,55 pontos. Na segunda-feira (5), depois da votação, subiu 7,70% e fechou em 206.911,89 pontos, no maior patamar da história do índice.

Na segunda-feira (26), depois da vitória de Lula, o Ibovespa caiu 13,88% e fechou em 176.608,23 pontos. Esse nível fica abaixo do fechamento de 2 de outubro. Esta reportagem calcula quanto do ganho do primeiro turno sobrou.

O que o mercado apostava

O Ibovespa reúne as ações mais negociadas na B3, a bolsa de valores de São Paulo. Ele sobe quando investidores compram ações e cai quando vendem. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula teve 45,16%, segundo a InfoMoney. No domingo (25), Lula foi reeleito com cerca de 51,8% dos votos válidos, segundo o Senado Notícias.

Analistas citados pela InfoMoney e pelo Borainvestir descreveram a alta como expectativa. Jaqueline Neo, da be.smart, disse: “O mercado está precificando a possibilidade de uma política econômica mais favorável.” André Matos, da MA7 Capital, afirmou: “Quando algo travado por quatro meses rompe numa manhã, é expectativa sendo reprecificada.”

Para o mercado, um governo de Flávio sinalizava uma política fiscal mais disciplinada, ou seja, mais controle das contas públicas. Na segunda-feira, a InfoMoney registrou que a vitória de Lula contrariou essas expectativas. Investidores desmontaram posições apostadas nesse cenário.

Quanto do ganho sobrou

Entre 2 e 5 de outubro, o Ibovespa ganhou 14.797,34 pontos. Em 26 de outubro, fechou 15.506,32 pontos abaixo de 2 de outubro. A queda apagou todo o ganho do primeiro turno e ainda mais: 104,8% dele.

Ibovespa e dólar em datas-chave Fechamento em pontos e em reais; variação do Ibovespa em relação a 2 de outubro, em %

Data Ibovespa (pontos) Ibovespa vs. 2/10 Dólar (R$)
2/10 (sexta, véspera do 1º turno) 192.114,55 — 5,216
5/10 (segunda, após o 1º turno) 206.911,89 +7,70% 5,001
23/10 (sexta, último pregão antes da eleição) 205.088,74 +6,75% —
26/10 (segunda, após o 2º turno) 176.608,23 −8,07% 5,403

Fonte: InfoMoney (2/10, 5/10, 23/10 e 26/10), Money Times (2/10 e 26/10) e Borainvestir (5/10). Elaboração: redação.

Até sexta-feira (23), a bolsa mantinha alta de 6,75% sobre 2 de outubro. O recuo veio em um único pregão, na segunda-feira (26), que teve circuit breaker. Esse mecanismo suspende as negociações após quedas fortes.

O dólar fez o caminho inverso. Foi de R$ 5,001 em 5 de outubro para R$ 5,403 em 26 de outubro, uma alta de cerca de 8%. Quando o dólar sobe, produtos importados e dívidas em moeda estrangeira ficam mais caros em reais.

O que isso significa

O preço das ações reagiu a uma aposta sobre quem venceria a eleição. Quando o resultado foi outro, a aposta foi desfeita, e o índice caiu mais do que tinha subido. Isso mostra o que o mercado esperava, não um julgamento sobre o país.

Thomas Haugaard, da Janus Henderson, disse que a atenção se desloca agora “rapidamente da eleição para a equipe e o plano fiscal”. O próximo teste será o que o novo governo apresentar para as contas públicas.

Ativos podem perder valor, e pânicos podem se aprofundar. Esta reportagem não é recomendação de investimento.

O que diz Thomas Haugaard, gerente de portfólio da Janus Henderson: Em 26/10, ele afirmou: “O resultado do domingo (25) foi surpreendente, mas principalmente porque os mercados haviam se dissociado das pesquisas.” A fala foi publicada pela InfoMoney, na cobertura do pregão de 26/10.

Como fizemos: Usamos os fechamentos do Ibovespa e do dólar comercial de 2, 5, 23 e 26 de outubro de 2026, publicados pela InfoMoney, Money Times e Borainvestir (B3), acessados em 26/10/2026. As variações e a parcela do ganho apagada (15.506,32 ÷ 14.797,34 = 104,8%) são cálculos da redação. Os valores vêm de reportagens, não da série histórica oficial da B3, e o dólar de 2/10 varia entre R$ 5,2165 e R$ 5,2173 conforme a fonte; usamos R$ 5,216. Os números não mostram quem ganhou ou perdeu nem o desempenho de ações específicas.

Fontes