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Tese de anulação precisa explicar margem de 4,4 milhões de votos

Lula tem 4.430.191 votos de vantagem. A prorrogação até as 19h valeu só para urnas ainda abertas, e o volume de votos nelas não foi informado.

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Fachada espelhada do edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, sob céu com nuvens.
Edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.Foto: Alexandresena / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), teve 64.256.232 votos no segundo turno. Flávio Bolsonaro teve 59.826.041. A diferença é de 4.430.191 votos, pelos totais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É essa margem que a tese de anulação precisa explicar.

Na noite de domingo (25), Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), disse que não reconhece o resultado. Ele diz que vai pedir a anulação e cita a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu a votação até as 19h em seções ainda abertas.

O que a decisão mudou

A decisão foi divulgada às 17h02, segundo o Senado Notícias. Zanin atendeu a pedido da coligação de Lula, que citou falta de ônibus para eleitores, segundo a Exame. A campanha de Flávio também pediu prorrogação, em municípios de cinco estados.

A medida valeu só para urnas que ainda estavam abertas. Urnas já fechadas não foram reabertas, segundo o Senado Notícias. A votação nessas urnas terminou às 19h, e só então a apuração foi retomada.

Quanto a diferença pesa

Votos válidos são os dados aos dois candidatos. Somados, eles dão 124.082.273 votos. Lula ficou com 51,79% e Flávio com 48,21%. A distância entre as duas porcentagens é de 3,57 pontos percentuais (p.p.), que é a diferença entre dois percentuais, não a variação entre eles.

Votos no segundo turno, pelos totais do TSE Votos e percentual dos votos válidos, em 25/10/2026

Candidato Votos % dos válidos
Luiz Inácio Lula da Silva 64.256.232 51,79%
Flávio Bolsonaro 59.826.041 48,21%
Diferença 4.430.191 3,57 p.p.

Fonte: TSE, totais citados pela Gazeta do Povo. Elaboração: redação.

A conta tem um limite simples. Para a prorrogação mudar o vencedor sozinha, ela precisaria render pelo menos 4.430.191 votos de vantagem para Flávio. Se esse fosse o total de votos dados depois das 17h, todos teriam de ir para ele.

Esse volume equivale a cerca de 3,5% dos 128 milhões de votantes, segundo o TSE, citado pelo Senado Notícias. As fontes consultadas não informam quantos votos foram dados depois das 17h, nem quantas urnas ficaram abertas. Por isso, a conta mede o tamanho do obstáculo, não o efeito real da prorrogação.

O que Flávio diz e o que o TSE responde

Flávio afirmou: “Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo”. Ele disse também que “é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”. Ao citar cidades onde as urnas não foram reabertas, afirmou: “Eu nunca vou saber se numa cidade onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”.

A última frase mostra que a tese depende de um número que ninguém conhece. Na apuração, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, disse: “Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”. Ministros do tribunal, ouvidos sob reserva pela CNN Brasil, falaram em “interferência de Zanin em uma atribuição do TSE”. Zanin afirmou que, nas urnas já fechadas, os votos serão computados e totalizados.

Até a publicação, não localizamos pedido de anulação protocolado no TSE nas fontes consultadas.

O que diz Flávio Bolsonaro: Na noite de domingo (25), ele disse: “Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”. As falas foram publicadas pela Gazeta do Povo e pelo Poder360. Não localizamos resposta direta dele ou do PL sobre os números da prorrogação.

O que fica em aberto

O dado que falta é simples: quantos votos entraram nas urnas abertas depois das 17h. Se a Justiça Eleitoral publicar essa contagem, a discussão passa a ter número. Sem ela, a tese de anulação depende de algo que as fontes consultadas não trazem.

O TSE já confirmou a reeleição de Lula, segundo o Senado Notícias. Quem contesta o resultado pode levar o caso à Justiça Eleitoral, que analisa cada pedido com as provas apresentadas.

Como fizemos: Usamos os totais absolutos do TSE citados pela Gazeta do Povo, publicados em 25/10/2026 e acessados em 26/10/2026. O painel de resultados do TSE carrega por script e não pudemos conferi-lo diretamente. A diferença, a soma dos votos válidos, os 3,57 pontos percentuais e o limite de 4.430.191 votos são cálculos da redação. O Senado Notícias publicou 51,78% em apuração das 22h33, com totais arredondados; o texto usa os totais absolutos. Não localizamos contagem oficial dos votos dados depois das 17h, e o texto não estima esse número.

Fontes