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Só 5,7 milhões de CPFs investem em renda variável na B3

Dados da B3 mostram 5,7 milhões de CPFs em renda variável no fim de junho de 2026, cerca de 2,7% dos habitantes do país.

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Dois operadores de costas em mesa de pregão, diante de um painel eletrônico com cotações em vermelho e verde, na Bolsa de Valores de São Paulo.
Pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), antecessora da B3, em foto de 2007 (arquivo).Foto: Rafael Matsunaga / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

No fim de junho de 2026, 5,7 milhões de pessoas físicas tinham aplicações em renda variável na B3, a bolsa de valores brasileira. Esse número equivale a cerca de 2,7% dos 214 milhões de habitantes estimados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A B3 conta os investidores pelo CPF, o cadastro que identifica cada pessoa física. Renda variável são aplicações cujo preço muda com o mercado, como ações, fundos imobiliários (FIIs) e fundos que acompanham índices da bolsa (ETFs). Nelas, o valor pode cair, e pânicos de venda podem aprofundar as perdas.

A base cresceu, mas segue pequena

Em 2021, a B3 tinha 4,2 milhões de investidores em renda variável, segundo levantamento da bolsa reportado pelo portal Viva. Em dezembro de 2025, eram quase 5,5 milhões. No 1º trimestre de 2026, 5,6 milhões, e no fim de junho, 5,7 milhões, alta de 7% em doze meses.

A alta de cerca de 36% desde 2021 deve ser lida com cautela. O levantamento de 2021 não informa o mês, então a comparação não é exata.

Só nos seis meses entre dezembro de 2025 e junho de 2026, a base ganhou cerca de 200 mil CPFs, segundo a B3. O ritmo é real, mas o total ainda representa uma fração pequena dos habitantes do país.

Investidores pessoa física em renda variável na B3 e participação na população Milhões de CPFs e percentual da população, por data de referência

Data de referência Investidores (milhões) Parte da população
2021 4,2 não calculado
Dezembro de 2025 quase 5,5 2,6%
Fim de junho de 2026 5,7 2,7%

Fonte: B3 (comunicados de 16/01/2026 e 17/09/2026); Viva (08/08/2025), com dados da B3; IBGE (estimativas de população de 2025 e de 1º de julho de 2026). Cálculo próprio. Elaboração: redação.

Quem são os investidores

Segundo o levantamento da B3 citado pelo Viva, 74% dos investidores em renda variável são homens e 26% são mulheres. A proporção se manteve estável no período analisado.

Por idade, 48% têm de 25 a 39 anos. Os de 40 a 59 anos somam 28%, os de 19 a 24 anos, 14%, e os de 60 anos ou mais, 7%.

A concentração também aparece por estado. Ao fim de 2025, São Paulo tinha 1,9 milhão de investidores, Minas Gerais 554 mil e o Rio de Janeiro 550 mil. Juntos, os três reúnem cerca de 55% dos CPFs em renda variável.

A B3 aponta crescimento mais rápido fora do Sudeste. Amazonas, Pará, Ceará, Bahia e outros estados do Norte e do Nordeste tiveram alta acima de 5% em 2025. Piauí liderou, com 7,73%.

Nas publicações da B3 que consultamos, não há recorte por faixa de renda. Por isso, esta reportagem não mede quanto da renda mais alta está na bolsa.

O que diz a B3: Segundo o diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física, Felipe Paiva, o mercado de capitais avança para além dos grandes centros. A posição está no comunicado da B3 de 16/01/2026.

O que isso significa

Os números mostram uma base em alta, mas ainda pequena. Menos de 3% da população tem CPF em renda variável na B3.

Quando jornais e analistas dizem o que “o mercado” pensa de uma eleição ou de um governo, falam de uma parcela pequena do país. Os números não incluem investidores estrangeiros nem grandes instituições, que não são pessoas físicas e ficam fora desta conta.

O próximo boletim trimestral da B3 deve atualizar a série. Até lá, a pergunta sobre quem de fato participa da bolsa segue com resposta parcial.

Como fizemos: Usamos os comunicados da B3 de 16/01/2026, 06/07/2026 e 17/09/2026, e a reportagem da Viva de 08/08/2025 sobre levantamento da B3, acessados em 26/10/2026. A parte da população é cálculo nosso: CPFs divididos pela estimativa do IBGE de cada ano (213.421.037 em 2025 e 214.211.951 em 1º de julho de 2026), arredondada. Os dados contam pessoas com CPF, não contas, e não incluem estrangeiros nem instituições. As faixas etárias somam 97%, e a fonte não detalha o restante. Não conseguimos abrir a série mensal da B3, então usamos os comunicados trimestrais.

Fontes