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Dólar a R$ 5,40 eleva receita do agro e encarece adubo importado
Com o dólar perto de R$ 5,40 após a eleição, soja, carne e café rendem mais em reais, mas fertilizantes e diesel, comprados em dólar, ficam mais caros.
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Na segunda-feira (26), o dólar à vista fechou perto de R$ 5,40, com alta de 8,2% a 8,4%, conforme o veículo. No mesmo dia, o Ibovespa caiu 13,88%, para 176.608 pontos, segundo a CNN Brasil. O movimento veio depois da vitória de Lula no segundo turno, em 25 de outubro.
Para o interior que exporta, a conta tem dois lados. Soja, carne e café vendidos em dólar rendem mais em reais. Mas os fertilizantes, que são os adubos da lavoura, e o diesel, comprados com preço ligado ao dólar, ficam mais caros.
O lado da receita
Em 20 de outubro, o dólar fechou a R$ 5,0183, segundo o Moneytimes. Entre essa data e o dia 26, a alta foi de cerca de 7,6%, cálculo nosso sobre as duas cotações.
O Ministério da Agricultura informou que o agro exportou US$ 169,2 bilhões em 2025, alta de 3%. Isso equivale a 48,5% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior. A soja somou US$ 43,5 bilhões, e a carne bovina, US$ 17,9 bilhões, segundo a mesma pasta.
Veja um exemplo. Uma venda de US$ 100 rendia R$ 502 com o dólar a R$ 5,02. Com o dólar a R$ 5,40, rende R$ 540. Esse ganho não considera frete nem custos de armazenagem.
O ganho tem limite. Soja, café e açúcar caíram nas bolsas internacionais no dia 26, com o dólar mais forte, segundo o InfoMoney. Quando o preço em dólar cai, parte da vantagem cambial desaparece.
O lado do custo
O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, segundo dados do MDIC, citados pelo GIROAgro. No primeiro semestre de 2026, o preço médio da tonelada importada foi de US$ 383,8, alta de 16,8% sobre o mesmo período de 2025.
O volume caiu 5,9%, para 18,30 milhões de toneladas, segundo o Comex Stat. O país comprou menos, mas pagou mais por tonelada. O petróleo também pesa: o Brent fechou a US$ 115,81 em 26 de outubro, segundo o InfoMoney. O diesel acompanha esse preço, o que pressiona o frete no interior.
Números do câmbio alto: receita de um lado, custo do outro Valores em reais e dólares, com data ou período indicados
| Indicador | Número | Fonte |
|---|---|---|
| Dólar à vista, 20/10/2026 | R$ 5,02 | Moneytimes |
| Dólar à vista, 26/10/2026 | cerca de R$ 5,40 | CNN Brasil, Exame |
| Exportações do agro, 2025 | US$ 169,2 bilhões (+3%) | Ministério da Agricultura |
| Soja, safra 2025/26 | 180,4 milhões de toneladas (+5,2%) | Conab, via CNN Brasil |
| Fertilizantes importados | cerca de 85% do consumo | MDIC, via GIROAgro |
| Preço médio importado, 1º semestre de 2026 | US$ 383,8 por tonelada (+16,8%) | GIROAgro |
| Ocupados no agronegócio, 2º trimestre de 2026 | 28,4 milhões (26,0% dos ocupados) | Cepea e CNA |
Fonte: ver Fontes. Elaboração: redação.
Emprego no interior
Segundo o boletim do Cepea e da CNA, 28,4 milhões de pessoas estavam ocupadas no agronegócio no 2º trimestre de 2026. Isso equivale a 26,0% dos ocupados do país, e a CNA fala em recorde histórico. A alta sobre o trimestre anterior foi de 0,1%, cerca de 27 mil pessoas.
Esses dados são de antes da alta de 26 de outubro. Mostram a base do emprego, não o efeito do câmbio. O setor primário, que reúne a lavoura, cresceu 1,9% no trimestre, puxado por café, milho e cereais.
Quem compra comida e combustível também sente o dólar alto. Produtos importados ficam mais caros, e a pressão pode chegar ao supermercado e ao posto. Esta reportagem não mediu esse efeito nos preços, nem encontrou dado verificado sobre municípios que dependem do agro.
O que diz o Ministério da Agricultura: em nota de janeiro de 2026, a pasta informou exportações recordes de US$ 169,2 bilhões em 2025, com alta de 3%. Não localizamos manifestação da pasta, da Conab, da CNA ou do Cepea sobre o câmbio de 26 de outubro.
O que isso significa
Os dados mostram um efeito duplo. O dólar alto ajuda quem vende para fora, mas encarece o que o produtor compra de fora, na mesma safra. O resultado final depende do preço internacional e do custo dos insumos, que este texto não consegue medir.
Para o interior, falta saber quanto da receita chega à lavoura e aos trabalhadores. Ações de empresas exportadoras subiram no dia, mas ativos podem perder valor, e a queda da Bolsa pode se aprofundar. Este texto não recomenda nenhuma aplicação.
Como fizemos: Os fechamentos da bolsa e do dólar vêm de CNN Brasil, Exame, InfoMoney e Moneytimes, acessados em 26/10/2026. Os veículos divergem no fechamento do dólar (alta de 8,21% a 8,36%), e usamos a faixa. Os cálculos de 7,6% e do exemplo de US$ 100 são nossos, a partir das cotações citadas. Conab, Ministério da Agricultura, GIROAgro e o boletim do Cepea e da CNA foram lidos por meio de reportagens que citam esses dados, pois não abrimos os documentos originais. O texto não traz dado verificado sobre diesel, alimentos ou municípios. Não houve contato prévio com as entidades citadas.
Fontes
- Mercado financeiro: Ibovespa e dólar em 26 de outubro de 2026 — CNN Brasil (acesso em 26/10/2026)
- Bolsa e dólar após as eleições, 26 de outubro — Exame (acesso em 26/10/2026)
- Ibovespa ao vivo, 26/10/2026 — InfoMoney (acesso em 26/10/2026)
- Ibovespa e dólar, 20/10/2026 — Moneytimes (acesso em 26/10/2026)
- Safra 2025/26 termina com colheita recorde, aponta Conab — CNN Brasil (acesso em 26/10/2026)
- Exportação do agronegócio do Brasil avança 3% em 2025 e tem recorde, diz ministério — Notícias Agrícolas (acesso em 26/10/2026)
- Agronegócio brasileiro fecha 2025 com recorde em exportações — Revista Cultivar (acesso em 26/10/2026)
- Com Brasil dependente de 85% dos fertilizantes importados, bioinsumos nacionais avançam — Notícias Agrícolas (GIROAgro) (acesso em 26/10/2026)
- Agro bate recorde histórico de empregos no 2º trimestre de 2026 — CNA (acesso em 26/10/2026)
- Soybeans no-till, foto de Uaequals42 — Wikimedia Commons (acesso em 26/10/2026)



