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Dólar a R$ 5,40 eleva receita do agro e encarece adubo importado

Com o dólar perto de R$ 5,40 após a eleição, soja, carne e café rendem mais em reais, mas fertilizantes e diesel, comprados em dólar, ficam mais caros.

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Imagem de satélite de lavouras em Primavera do Leste, em Mato Grosso, com talhões retangulares e círculos de irrigação em tons de verde, marrom e bege.
Imagem de satélite de lavouras de soja em Primavera do Leste (MT), de 13 de julho de 2017.Imagem: SentinelHub, com dados Copernicus Sentinel modificados / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na segunda-feira (26), o dólar à vista fechou perto de R$ 5,40, com alta de 8,2% a 8,4%, conforme o veículo. No mesmo dia, o Ibovespa caiu 13,88%, para 176.608 pontos, segundo a CNN Brasil. O movimento veio depois da vitória de Lula no segundo turno, em 25 de outubro.

Para o interior que exporta, a conta tem dois lados. Soja, carne e café vendidos em dólar rendem mais em reais. Mas os fertilizantes, que são os adubos da lavoura, e o diesel, comprados com preço ligado ao dólar, ficam mais caros.

O lado da receita

Em 20 de outubro, o dólar fechou a R$ 5,0183, segundo o Moneytimes. Entre essa data e o dia 26, a alta foi de cerca de 7,6%, cálculo nosso sobre as duas cotações.

O Ministério da Agricultura informou que o agro exportou US$ 169,2 bilhões em 2025, alta de 3%. Isso equivale a 48,5% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior. A soja somou US$ 43,5 bilhões, e a carne bovina, US$ 17,9 bilhões, segundo a mesma pasta.

Veja um exemplo. Uma venda de US$ 100 rendia R$ 502 com o dólar a R$ 5,02. Com o dólar a R$ 5,40, rende R$ 540. Esse ganho não considera frete nem custos de armazenagem.

O ganho tem limite. Soja, café e açúcar caíram nas bolsas internacionais no dia 26, com o dólar mais forte, segundo o InfoMoney. Quando o preço em dólar cai, parte da vantagem cambial desaparece.

O lado do custo

O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, segundo dados do MDIC, citados pelo GIROAgro. No primeiro semestre de 2026, o preço médio da tonelada importada foi de US$ 383,8, alta de 16,8% sobre o mesmo período de 2025.

O volume caiu 5,9%, para 18,30 milhões de toneladas, segundo o Comex Stat. O país comprou menos, mas pagou mais por tonelada. O petróleo também pesa: o Brent fechou a US$ 115,81 em 26 de outubro, segundo o InfoMoney. O diesel acompanha esse preço, o que pressiona o frete no interior.

Números do câmbio alto: receita de um lado, custo do outro Valores em reais e dólares, com data ou período indicados

Indicador Número Fonte
Dólar à vista, 20/10/2026 R$ 5,02 Moneytimes
Dólar à vista, 26/10/2026 cerca de R$ 5,40 CNN Brasil, Exame
Exportações do agro, 2025 US$ 169,2 bilhões (+3%) Ministério da Agricultura
Soja, safra 2025/26 180,4 milhões de toneladas (+5,2%) Conab, via CNN Brasil
Fertilizantes importados cerca de 85% do consumo MDIC, via GIROAgro
Preço médio importado, 1º semestre de 2026 US$ 383,8 por tonelada (+16,8%) GIROAgro
Ocupados no agronegócio, 2º trimestre de 2026 28,4 milhões (26,0% dos ocupados) Cepea e CNA

Fonte: ver Fontes. Elaboração: redação.

Emprego no interior

Segundo o boletim do Cepea e da CNA, 28,4 milhões de pessoas estavam ocupadas no agronegócio no 2º trimestre de 2026. Isso equivale a 26,0% dos ocupados do país, e a CNA fala em recorde histórico. A alta sobre o trimestre anterior foi de 0,1%, cerca de 27 mil pessoas.

Esses dados são de antes da alta de 26 de outubro. Mostram a base do emprego, não o efeito do câmbio. O setor primário, que reúne a lavoura, cresceu 1,9% no trimestre, puxado por café, milho e cereais.

Quem compra comida e combustível também sente o dólar alto. Produtos importados ficam mais caros, e a pressão pode chegar ao supermercado e ao posto. Esta reportagem não mediu esse efeito nos preços, nem encontrou dado verificado sobre municípios que dependem do agro.

O que diz o Ministério da Agricultura: em nota de janeiro de 2026, a pasta informou exportações recordes de US$ 169,2 bilhões em 2025, com alta de 3%. Não localizamos manifestação da pasta, da Conab, da CNA ou do Cepea sobre o câmbio de 26 de outubro.

O que isso significa

Os dados mostram um efeito duplo. O dólar alto ajuda quem vende para fora, mas encarece o que o produtor compra de fora, na mesma safra. O resultado final depende do preço internacional e do custo dos insumos, que este texto não consegue medir.

Para o interior, falta saber quanto da receita chega à lavoura e aos trabalhadores. Ações de empresas exportadoras subiram no dia, mas ativos podem perder valor, e a queda da Bolsa pode se aprofundar. Este texto não recomenda nenhuma aplicação.

Como fizemos: Os fechamentos da bolsa e do dólar vêm de CNN Brasil, Exame, InfoMoney e Moneytimes, acessados em 26/10/2026. Os veículos divergem no fechamento do dólar (alta de 8,21% a 8,36%), e usamos a faixa. Os cálculos de 7,6% e do exemplo de US$ 100 são nossos, a partir das cotações citadas. Conab, Ministério da Agricultura, GIROAgro e o boletim do Cepea e da CNA foram lidos por meio de reportagens que citam esses dados, pois não abrimos os documentos originais. O texto não traz dado verificado sobre diesel, alimentos ou municípios. Não houve contato prévio com as entidades citadas.

Fontes