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Ibovespa cai 13,88% e o histórico mostra que quedas podem continuar
Depois da reeleição de Lula, o Ibovespa caiu 13,88% em um dia. Em 2008, de 2013 a 2015 e em 2020, quedas fortes tiveram novas perdas.
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Na segunda-feira (26), o Ibovespa caiu 13,88% e fechou em 176.608,23 pontos. O dólar subiu 8,21% e foi a R$ 5,40, segundo o Money Times. Foi o primeiro pregão depois da reeleição de Lula, no domingo (25).
Logo no início, a B3 suspendeu as negociações com o circuit breaker, uma pausa automática do pregão. Foi o primeiro acionamento desde março de 2020, segundo o Money Times.
Diante de uma queda assim, a pergunta é natural: o pior já passou? Nenhuma fonte consultada responde a isso com precisão. O histórico mostra que um dia forte de queda pode ser só o começo.
Pelas regras da B3, uma queda de 10% no Ibovespa suspende os negócios por 30 minutos. Se a queda chegar a 15% depois da volta, a pausa dura uma hora. Com queda de 20%, a própria B3 define o prazo de suspensão, segundo a bolsa.
Quedas fortes já se aprofundaram antes
A tabela reúne episódios com números das fontes citadas no fim do texto.
Quedas em episódios de crise Variação do índice no período indicado, com base em valores de fechamento
| Episódio | Período | Queda |
|---|---|---|
| Crise de 2008, queda de um dia | 15/10/2008 | 11,39% |
| Crise de 2008, ano inteiro | 2008 | 41,22% |
| Pandemia, do recorde ao menor nível do ano | 23/01 a 23/03/2020 | cerca de 47%* |
| Três anos seguidos de queda | 2013 a 2015 | 15,5%, 2,91% e 13,31% |
| Dow Jones, nos Estados Unidos | 03/09/1929 a 08/07/1932 | 89,2%* |
Fontes: Suno, InfoMoney, Gazeta do Povo, Exame, Istoé Dinheiro e Federal Reserve History. *Cálculo nosso, explicado no fim do texto.
Em 20 de maio de 2008, o Ibovespa fechou em 73.516 pontos, segundo a Mondo Visione. A crise avançou nos meses seguintes. Em 15 de outubro, o índice caiu 11,39% em um só dia, segundo a Suno. O ano terminou com queda de 41,22%, segundo a InfoMoney.
Em março de 2020, a B3 acionou o circuit breaker seis vezes em nove dias. As pausas foram nos dias 9 (queda de 12,17%), 11 (7,64%), 12 (duas vezes, com 13,91% no fechamento), 16 (13,92%) e 18 (10,35%), segundo a InfoMoney. O menor fechamento do ano veio em 23 de março, com 63.569,62 pontos, cinco dias depois da última pausa, segundo a Istoé Dinheiro.
O Ibovespa também caiu três anos seguidos, de 2013 a 2015. Em 2013, a queda foi de 15,5%, segundo a Gazeta do Povo. Em 2014, de 2,91%, segundo a Exame. Em 2015, de 13,31%, para 43.349 pontos, segundo a InfoMoney.
Nos Estados Unidos, o Dow Jones foi de 381,17 pontos, em 3 de setembro de 1929, para 41,22 pontos, em 8 de julho de 1932, segundo a Federal Reserve History. Isso é uma queda de 89,2%. Quem comprou na primeira queda não tinha como saber o tamanho do movimento.
O que disse o consultor da Wiser Asset
Segundo o InfoMoney, em cobertura ao vivo, o consultor da Wiser Asset Fábio Murad disse que parte dos investidores havia comprado ações e vendido dólares antecipando o cenário. Para ele, “agora, o desmonte dessas posições intensifica a reação”.
Murad lembrou que o circuit breaker confirma a intensidade das vendas, mas não prevê a duração. Ele também avalia que “um susto passageiro tende a perder força” depois que as posições são reorganizadas.
No caso brasileiro, o ponto central é o fiscal. Murad afirma: “Despesas adicionais sem receitas ou cortes compensatórios aumentam a necessidade de financiamento público.” Segundo ele, isso eleva o retorno que os investidores exigem e reduz o valor dado aos lucros futuros das empresas.
A leitura de Murad pode se confirmar. A tabela, porém, mostra que um susto nem sempre passa rápido. Entre 2013 e 2015, a bolsa caiu por três anos seguidos. Quem comprou no meio de uma queda também pode perder mais. Ativos podem perder valor, e pânicos podem se aprofundar.
O que diz Fábio Murad (Wiser Asset): Segundo o InfoMoney, ele vê na reeleição uma pressão sobre os ativos, porque ela contraria apostas em uma mudança fiscal mais rápida, e acredita que um susto passageiro tende a perder força. Não houve contato direto para esta matéria; a posição vem da cobertura publicada em 26/10/2026.
O que isso significa
Os números não dizem quando a queda para. Quedas fortes já foram seguidas de novas perdas, como em 2008 e entre 2013 e 2015. Em 2020, o fundo só ficou claro depois, com o fechamento de 23 de março.
O que segue em aberto é o rumo das contas públicas e dos juros, fatores que Murad aponta como centrais. Também está em aberto quanto tempo dura a reação dos investidores. Este texto não é recomendação de investimento.
Como fizemos: Usamos cotações de fechamento publicadas pelo Money Times e pelo InfoMoney em 26/10/2026, acessadas no mesmo dia. Metrópoles traz pontos diferentes em trechos do mesmo texto; adotamos os números que Money Times e InfoMoney confirmam. Os históricos de 2008, 2013 a 2015 e 2020 vêm de reportagens, não de série oficial da B3. A queda de cerca de 47% em 2020 e a de 89,2% em 1929 são cálculos nossos, a partir dos pontos citados. Não localizamos a reportagem da Exame em que a fala de Murad aparece, então a fala aqui vem do InfoMoney. Os dados não mostram quando o movimento de 2026 vai terminar.
Fontes
- Tempo real: Ibovespa afunda 13% com vitória de Lula após circuit breaker; dólar e juros futuros disparam — Money Times (acesso em 26/10/2026)
- Ibovespa desaba 13% após eleição, em dia de circuit breaker; dólar dispara 8% — InfoMoney (acesso em 26/10/2026)
- Bolsa em circuit breaker: qual a última vez que o mecanismo foi acionado? — InfoMoney (acesso em 26/10/2026)
- Bolsa tem um dos piores resultados da história e fecha com queda de 13,88% — Metrópoles (acesso em 26/10/2026)
- Circuit breaker — B3 (acesso em 26/10/2026)
- Ibovespa closes May 20 at 73,516 points — Mondo Visione (acesso em 26/10/2026)
- Ibovespa: confira as dez maiores quedas do índice desde 2000 — Suno (acesso em 26/10/2026)
- Colunista InfoMoney: início da crise nas finanças globais — InfoMoney (acesso em 26/10/2026)
- Bovespa recua 15,5% em 2013, pior desempenho entre principais bolsas — Gazeta do Povo (acesso em 26/10/2026)
- Ibovespa cai e termina 2014 com perda de 2,91% — Exame (acesso em 26/10/2026)
- Ibovespa encerra 2015 em queda de 13,3% e tem 3º ano seguido de baixa; dólar sobe 48,5% — InfoMoney (acesso em 26/10/2026)
- Bolsa fecha em baixa de 0,33% com ganho de 9,30% no mês e 2,92% no ano — Istoé Dinheiro (acesso em 26/10/2026)
- Ibovespa termina o ano aos 119.017 pontos, com alta de 2,92% em 2020 — Poder360 (acesso em 26/10/2026)
- Stock Market Crash of 1929 — Federal Reserve History (acesso em 26/10/2026)



