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Ibovespa cai 13,88% e o histórico mostra que quedas podem continuar

Depois da reeleição de Lula, o Ibovespa caiu 13,88% em um dia. Em 2008, de 2013 a 2015 e em 2020, quedas fortes tiveram novas perdas.

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Foto em preto e branco de multidão reunida na rua em frente à Bolsa de Nova York, em Wall Street, durante a quebra de 1929.
Multidão em Wall Street em 24 de outubro de 1929, durante a quebra da Bolsa de Nova York.Foto: Associated Press / Wikimedia Commons (domínio público)

Na segunda-feira (26), o Ibovespa caiu 13,88% e fechou em 176.608,23 pontos. O dólar subiu 8,21% e foi a R$ 5,40, segundo o Money Times. Foi o primeiro pregão depois da reeleição de Lula, no domingo (25).

Logo no início, a B3 suspendeu as negociações com o circuit breaker, uma pausa automática do pregão. Foi o primeiro acionamento desde março de 2020, segundo o Money Times.

Diante de uma queda assim, a pergunta é natural: o pior já passou? Nenhuma fonte consultada responde a isso com precisão. O histórico mostra que um dia forte de queda pode ser só o começo.

Pelas regras da B3, uma queda de 10% no Ibovespa suspende os negócios por 30 minutos. Se a queda chegar a 15% depois da volta, a pausa dura uma hora. Com queda de 20%, a própria B3 define o prazo de suspensão, segundo a bolsa.

Quedas fortes já se aprofundaram antes

A tabela reúne episódios com números das fontes citadas no fim do texto.

Quedas em episódios de crise Variação do índice no período indicado, com base em valores de fechamento

Episódio Período Queda
Crise de 2008, queda de um dia 15/10/2008 11,39%
Crise de 2008, ano inteiro 2008 41,22%
Pandemia, do recorde ao menor nível do ano 23/01 a 23/03/2020 cerca de 47%*
Três anos seguidos de queda 2013 a 2015 15,5%, 2,91% e 13,31%
Dow Jones, nos Estados Unidos 03/09/1929 a 08/07/1932 89,2%*

Fontes: Suno, InfoMoney, Gazeta do Povo, Exame, Istoé Dinheiro e Federal Reserve History. *Cálculo nosso, explicado no fim do texto.

Em 20 de maio de 2008, o Ibovespa fechou em 73.516 pontos, segundo a Mondo Visione. A crise avançou nos meses seguintes. Em 15 de outubro, o índice caiu 11,39% em um só dia, segundo a Suno. O ano terminou com queda de 41,22%, segundo a InfoMoney.

Em março de 2020, a B3 acionou o circuit breaker seis vezes em nove dias. As pausas foram nos dias 9 (queda de 12,17%), 11 (7,64%), 12 (duas vezes, com 13,91% no fechamento), 16 (13,92%) e 18 (10,35%), segundo a InfoMoney. O menor fechamento do ano veio em 23 de março, com 63.569,62 pontos, cinco dias depois da última pausa, segundo a Istoé Dinheiro.

O Ibovespa também caiu três anos seguidos, de 2013 a 2015. Em 2013, a queda foi de 15,5%, segundo a Gazeta do Povo. Em 2014, de 2,91%, segundo a Exame. Em 2015, de 13,31%, para 43.349 pontos, segundo a InfoMoney.

Nos Estados Unidos, o Dow Jones foi de 381,17 pontos, em 3 de setembro de 1929, para 41,22 pontos, em 8 de julho de 1932, segundo a Federal Reserve History. Isso é uma queda de 89,2%. Quem comprou na primeira queda não tinha como saber o tamanho do movimento.

O que disse o consultor da Wiser Asset

Segundo o InfoMoney, em cobertura ao vivo, o consultor da Wiser Asset Fábio Murad disse que parte dos investidores havia comprado ações e vendido dólares antecipando o cenário. Para ele, “agora, o desmonte dessas posições intensifica a reação”.

Murad lembrou que o circuit breaker confirma a intensidade das vendas, mas não prevê a duração. Ele também avalia que “um susto passageiro tende a perder força” depois que as posições são reorganizadas.

No caso brasileiro, o ponto central é o fiscal. Murad afirma: “Despesas adicionais sem receitas ou cortes compensatórios aumentam a necessidade de financiamento público.” Segundo ele, isso eleva o retorno que os investidores exigem e reduz o valor dado aos lucros futuros das empresas.

A leitura de Murad pode se confirmar. A tabela, porém, mostra que um susto nem sempre passa rápido. Entre 2013 e 2015, a bolsa caiu por três anos seguidos. Quem comprou no meio de uma queda também pode perder mais. Ativos podem perder valor, e pânicos podem se aprofundar.

O que diz Fábio Murad (Wiser Asset): Segundo o InfoMoney, ele vê na reeleição uma pressão sobre os ativos, porque ela contraria apostas em uma mudança fiscal mais rápida, e acredita que um susto passageiro tende a perder força. Não houve contato direto para esta matéria; a posição vem da cobertura publicada em 26/10/2026.

O que isso significa

Os números não dizem quando a queda para. Quedas fortes já foram seguidas de novas perdas, como em 2008 e entre 2013 e 2015. Em 2020, o fundo só ficou claro depois, com o fechamento de 23 de março.

O que segue em aberto é o rumo das contas públicas e dos juros, fatores que Murad aponta como centrais. Também está em aberto quanto tempo dura a reação dos investidores. Este texto não é recomendação de investimento.

Como fizemos: Usamos cotações de fechamento publicadas pelo Money Times e pelo InfoMoney em 26/10/2026, acessadas no mesmo dia. Metrópoles traz pontos diferentes em trechos do mesmo texto; adotamos os números que Money Times e InfoMoney confirmam. Os históricos de 2008, 2013 a 2015 e 2020 vêm de reportagens, não de série oficial da B3. A queda de cerca de 47% em 2020 e a de 89,2% em 1929 são cálculos nossos, a partir dos pontos citados. Não localizamos a reportagem da Exame em que a fala de Murad aparece, então a fala aqui vem do InfoMoney. Os dados não mostram quando o movimento de 2026 vai terminar.

Fontes