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Ibovespa subiu 97% em 2003 após queda de 2002; em 2008, caiu 41%

Séries do Ibovespa, dados de 2020 e uma pesquisa da JPMorgan mostram o que veio depois de três grandes quedas. O passado não garante o futuro.

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Operadores de bolsa em meio a uma multidão, com papéis espalhados no chão e telefones nas mãos, em foto em preto e branco.
Operadores em pregão de bolsa de valores, em foto de arquivo de abril de 2015.Foto: Núcleo Editorial / Flickr / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 2002, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 17,01% no ano. Em 2003, subiu 97,34%. Os dados anuais são da série do site Mais Retorno, que reúne fontes públicas.

Quem vê uma queda forte quer saber o que a história mostra. A resposta é limitada. Este texto reúne três episódios com data, número e fonte. Ele não diz o que vai acontecer agora.

Pânico, aqui, é uma queda forte e rápida, movida por medo. Nesses momentos, ninguém sabe onde o mercado vai parar. Um índice pode cair ainda mais depois de uma primeira queda.

Os episódios, com números e fontes

Quedas e recuperações do Ibovespa, de 2002 a 2021 Variação anual em percentual e níveis em pontos, conforme cada fonte

Data Episódio Número Fonte
2002 Queda no ano -17,01% Mais Retorno
2003 Alta no ano +97,34% Mais Retorno
27/10/2008 Nível em plena crise 29.435 pontos InfoMoney
2008 Queda no ano -41,22% Mais Retorno
18/03/2020 Fechamento preliminar 66.075,82 pontos (-11,45%) Reuters
23/03/2020 Fechamento no auge da crise 63.569,62 pontos Estadão Conteúdo
31/12/2020 Fim do ano 119.017 pontos (+2,92% no ano) Poder360
2021 Queda no ano -11,93% Mais Retorno

Fonte: Mais Retorno, InfoMoney, Reuters, Estadão Conteúdo e Poder360. Elaboração: redação.

2008: queda grande, e alta no ano seguinte

Em 2008, o Ibovespa caiu 41,22% no ano, segundo o Mais Retorno. Em 27 de outubro, chegou a 29.435 pontos, segundo uma coluna do InfoMoney. Em 2009, o índice subiu 82,66%, pela mesma série.

Esses dados não dizem o que aconteceu com quem comprou em outubro de 2008. Não temos o histórico diário da B3 para testar cada data de compra.

2020: a queda continuou depois de um dia de baixa

No dia 18 de março de 2020, o Ibovespa caiu 11,45%, e fechou em 66.075,82 pontos. Os dados ainda eram preliminares, segundo a Reuters. Cinco dias depois, em 23 de março, o índice fechou em 63.569,62 pontos, 3,8% abaixo do dia 18.

Segundo o Estadão Conteúdo, o índice chegou a acumular perda de 45% no auge da crise. Março fechou com queda de 29,91%, o pior mês desde agosto de 1998, segundo o InfoMoney.

Depois disso, o índice subiu. Fechou 2020 em 119.017 pontos, o que representa alta de 87,2% sobre o fechamento de 23 de março. Em 2021, porém, caiu 11,93%. Quem comprou em 23 de março e manteve até o fim de 2021 teria ganho cerca de 64,9%, pela soma das variações. Esse número é cálculo da redação.

O que a pesquisa internacional mostra

A WealthBriefing publicou em 3 de março de 2026 os resultados do Global Investment Returns Yearbook 2026, da UBS, feito com os pesquisadores Dimson, Marsh e Staunton. Segundo a reportagem, ações tiveram retorno real de 6,6% ao ano entre 1900 e 2025. Títulos de renda fixa tiveram 1,6%. Retorno real é o ganho depois de descontada a inflação.

Outra análise, citada pela CNBC em abril de 2025, usa o índice S&P 500, dos Estados Unidos. Segundo a CNBC, US$ 10 mil investidos em janeiro de 2005 e mantidos até dezembro de 2024 chegaram a cerca de US$ 71.750. Quem ficou fora dos 10 melhores pregões desse período terminou com cerca de US$ 32.871.

Os melhores dias costumam estar perto dos piores. Segundo a mesma análise da JPMorgan, sete dos 10 melhores pregões dos últimos 20 anos ocorreram a até duas semanas de um dos 10 piores.

O que diz a JPMorgan Asset Management: Segundo a CNBC, que cita a pesquisa da gestora, investidores que permanecem no mercado tendem a se sair muito melhor no longo prazo. Esta reportagem não contatou a gestora. A posição vem do texto da CNBC, publicado em 7 de abril de 2025.

O que os dados não mostram

Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Os números do Ibovespa são variações do índice, não de uma carteira real. Não entram custos, impostos nem o dia exato de cada compra ou venda.

A série anual do Mais Retorno não informa se inclui dividendos. Os valores de 2002 a 2021 também não são corrigidos pela inflação. O texto não traz o fundo de outubro de 2002, porque não localizamos o fechamento diário dessa data.

O caso de 2020 mostra a dificuldade. O dia 18 de março parecia uma baixa, mas o índice caiu mais nos dias seguintes. Ativos podem perder valor, e um pânico pode se aprofundar.

O que isso significa

Nos três episódios, o Ibovespa subiu forte nos anos seguintes. A alta veio depois de quedas grandes. Em 2020, porém, o índice caiu mais antes de subir, e em 2021 voltou a cair.

Os dados não dizem quando uma queda termina. Ninguém consegue identificar o fundo no momento em que ele acontece. A história ajuda a entender o risco, mas não garante resultado.

Como fizemos: Usamos as variações anuais do Ibovespa da série do Mais Retorno, atualizada em 23/10/2026 e acessada em 26/10/2026. Os níveis de 2008 e 2020 vêm de InfoMoney, Reuters, Estadão Conteúdo e Poder360, acessados em 26/10/2026. Os cálculos de queda de 3,8%, alta de 87,2% e ganho de 64,9% até o fim de 2021 foram feitos pela redação, encadeando fechamentos e variações anuais. Os valores não são corrigidos pela inflação e não incluem custos, impostos nem dividendos, que a fonte não informa. Os números de Estados Unidos vêm da CNBC e não foram recalculados.

Fontes