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Sinesp conta 7.289 homicídios no 1º trimestre: o que entra na conta

Homicídios dolosos caíram 42,7% desde o 1º trimestre de 2016, segundo o Sinesp. Veja o que o número conta, quem o envia e por que ele muda.

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Fachada de concreto e vidro, com grandes arcos, do Palácio da Justiça em Brasília, com ônibus e carros em frente e uma placa de 'Polícia' na cerca em primeiro plano.
Palácio da Justiça, em Brasília, sede do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em foto de março de 2018.Foto: Gabriel Fernandes / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

No fim de abril, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) informou 7.289 homicídios dolosos no primeiro trimestre de 2026. Homicídio doloso é a morte causada com intenção de matar. Segundo a pasta, é o menor número do primeiro trimestre em dez anos.

Os dados vêm do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Este texto explica o que esse número conta, como ele muda e como comparar. A regra central é simples: comparar o mesmo crime, no mesmo período e com a mesma população.

O que o Sinesp conta

O Sinesp é o sistema nacional de estatísticas criminais do ministério. Segundo a página de estatísticas da pasta, os indicadores são informados pelos Estados e pelo Distrito Federal, por meio de gestores estaduais de estatística.

A nota do primeiro trimestre traz duas categorias. Uma é o homicídio doloso. A outra é o latrocínio, que é o roubo seguido de morte. O sistema tem outros indicadores, mas a nota não os detalha.

O total de mortes violentas intencionais (MVI) do Anuário Brasileiro de Segurança Pública é outra conta. O Anuário, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), soma também feminicídio, lesão corporal seguida de morte e mortes em intervenções policiais. Lesão corporal seguida de morte é quando a agressão, sem intenção de matar, leva à morte. A nota de abril não diz se os feminicídios entram no total de homicídios dolosos.

Por que os números mudam

Os estados enviam os dados, e o ministério valida o conjunto nacional até o dia 15 do mês seguinte. A página da pasta diz que podem ocorrer atualizações depois da publicação. O número reflete o que cada estado havia lançado no sistema no dia da extração.

O Anuário segue lógica parecida. Segundo o FBSP, ele se baseia em informações das secretarias estaduais de segurança pública, das polícias e de outras fontes oficiais. Um número divulgado em abril é, portanto, um retrato de um dia. Ele pode mudar depois.

Mesmo período, mesma população

Primeiro trimestre de 2026 tem menos casos que em 2016 e em 2022 Número de casos de janeiro a março de cada ano

Crime 2016 2022 2026
Homicídios dolosos 12.719 9.714 7.289
Latrocínios 591 308 160

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública, segundo a Agência Brasil (1/5/2026). Elaboração: redação.

As quedas são cálculos nossos, feitos com esses totais. Frente a 2016, os homicídios dolosos caíram 42,7% e os latrocínios, 72,9%. Frente a 2022, as quedas foram de 25% e de 48,1%. Todos os números são de janeiro a março, o que evita comparar meses diferentes.

Contar o total bruto também engana, porque a população muda. Por isso o Anuário usa a taxa por 100 mil habitantes. Em 2025, a taxa de mortes violentas intencionais foi de 19,1, contra 27,7 em 2012, segundo o Jornal do Brasil. Nossa conta dá uma queda de cerca de 31%.

O mesmo cuidado vale para os totais. O Anuário contou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, contra 44.127 em 2024. Pela conta simples, a queda é de 7,6%. O Jornal do Brasil fala em 8,2%. Não conseguimos abrir o PDF do Anuário para conferir a base. A diferença mostra por que vale checar a fonte original.

O que diz o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP): Em nota de fim de abril, o ministro Wellington César Lima e Silva afirmou: “Isso permite não só prender mais, mas prevenir crimes e salvar vidas”. A pasta atribui os resultados a mais integração entre as forças, ao uso de inteligência e à atuação coordenada no país, segundo o Jornal de Brasília e a Agência Brasil.

O que o número não mostra

A nota não explica a causa da queda. O ministro atribui o resultado a uma nova estratégia, mas os dados sozinhos não medem esse efeito. Além disso, nem todo crime chega à polícia, e o Sinesp conta só o que foi registrado.

A série também continua. Segundo a CNN Brasil, com base no Painel Estatístico do Sinesp, os latrocínios somaram 314 casos no primeiro semestre de 2026.

O que isso significa

O primeiro trimestre de 2026 teve menos homicídios dolosos e latrocínios do que os mesmos meses de 2016 e de 2022. Esse é o dado mais firme da nota, porque compara períodos iguais. Os dados não provam a causa da queda.

Ao ler a próxima divulgação, confira três coisas: a categoria, o período e a base de comparação. O próximo Anuário, sobre 2026, e os novos boletins do Sinesp mostrarão se a tendência se mantém.

Como fizemos: Usamos a nota do MJSP sobre o primeiro trimestre de 2026, conforme as reportagens da Agência Brasil (1/5/2026) e do Jornal de Brasília, acessadas em 23/10/2026. A página da nota no gov.br/mj pedia login nessa data, e a cópia na Agência Gov informava estar desativada “em respeito à legislação eleitoral vigente”. As quedas são nossas: (total atual − total antigo) ÷ total antigo, com os totais publicados, inclusive a comparação do Anuário (44.127 para 40.775). Não enviamos perguntas ao ministério antes da publicação, e os dados do Sinesp são preliminares e podem mudar.

Fontes