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O nome do PL ao governo do Rio, acusado de vazar operação ao CV
Rodrigo Bacellar, que Flávio apoiou para suceder Cláudio Castro, foi indiciado pela PF sob suspeita de vazar ao CV dados da Operação Zargun.
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Em fevereiro de 2026, a Polícia Federal (PF) indiciou Rodrigo Bacellar (União), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo a PF, ele vazou ao Comando Vermelho (CV) informações sobre a Operação Zargun. Bacellar também foi denunciado por obstrução e voltou a ser preso em março.
O nome não é um qualquer na política do Rio. Em maio de 2025, Flávio Bolsonaro (PL) sinalizou apoio a Bacellar como sucessor do governador Cláudio Castro, segundo o Diário do Rio. Bacellar era o candidato que o PL planejava lançar ao governo do estado.
O que um vazamento faz com uma operação
Uma operação policial depende de surpresa. Mandados de prisão e de busca são cumpridos sem aviso, para que suspeitos e provas estejam onde a investigação apontou. Esse é o princípio de qualquer ação desse tipo.
Quando a informação chega antes ao alvo, a lógica se inverte. Quem seria preso pode fugir. Documentos e celulares podem sumir. E os policiais que entram na comunidade passam a ser esperados por quem deveria ser surpreendido.
É por isso que a acusação da PF pesa tanto. Segundo o relatório final da corporação, Bacellar ocupava a liderança do “núcleo político” da facção, como noticiou o Jornal do Brasil. A expressão é da própria PF, não deste jornal.
O cargo que Bacellar ocupou ajuda a medir o peso da acusação. O presidente da Alerj comanda a pauta do Legislativo estadual, que vota o orçamento do estado, inclusive o da segurança pública. Era desse posto que vinha o político que o PL preparava para governar o Rio.
As palavras importam, e cada uma tem um peso diferente. Indiciamento é quando a polícia conclui o inquérito e aponta um suspeito. Denúncia é a acusação formal levada à Justiça. Nenhuma das duas é condenação.
Bacellar passou pelas duas etapas e voltou a ser preso em março. Ele não foi julgado. Seus advogados chamam a acusação de arbitrária. Este jornal registra as três coisas, porque a presunção de inocência vale para todos, inclusive para aliados de candidatos.
O plano duro e o aliado acusado
O que não depende de julgamento é a escolha política. Em 2025, a PF ainda não havia indiciado Bacellar. Mas a pergunta que interessa ao eleitor é outra: que critério um candidato usa para escolher quem ele apoia para governar um estado inteiro?
O plano de governo que Flávio registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) promete tratar o CV, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e as milícias como “narcoterroristas”. Promete bloquear seus bens. E diz que criminoso armado com fuzil será “abatido”. O mesmo texto prevê cinco presídios de segurança máxima no modelo de El Salvador e 500 mil novas vagas prisionais em quatro anos.
O contraste é difícil de ignorar. O mesmo candidato que promete guerra ao CV apoiava, para o governo do Rio, o político que a PF acusa de servir à facção. O discurso é duro com o soldado da favela. Já o aliado escolhido é acusado pela PF de avisar a facção.
Há um limite que este jornal respeita. Nenhuma prova documentada liga Flávio pessoalmente ao CV. Em 8 de outubro, o TSE mandou apagar posts do próprio Flávio que associavam Lula ao PCC e ao CV sem base factual. O mesmo padrão vale para ele: os acusados são aliados, e as acusações são da PF.
O que diz a defesa de Rodrigo Bacellar: Os advogados de Bacellar classificam a acusação como arbitrária, segundo as reportagens sobre o caso. Ele não foi julgado, e o indiciamento e a denúncia não equivalem a condenação.
O segundo turno é no dia 25 de outubro. Um presidente nomeia o ministro da Justiça e o diretor-geral da PF, e define as prioridades do combate às facções. Quem trabalha na rua sabe que uma operação vazada custa caro. Antes de confiar a segurança do país a Flávio, o eleitor tem o direito de perguntar por que o nome dele para o Rio era Bacellar.
Fontes
- Bacellar e TH Joias são indiciados por vazamento de dados ao CV — Poder360
- Bacellar atua como liderança do núcleo político do Comando Vermelho, diz Polícia Federal — Jornal do Brasil
- Com apoio de Flávio Bolsonaro, Bacellar ganha força como sucessor de Castro no RJ — Diário do Rio
- Segurança pública: veja as propostas de Flávio na íntegra — SBT News
- TSE manda retirar do ar vídeos com uso de inteligência artificial publicados por Flávio Bolsonaro — TSE
- TSE manda Flávio apagar vídeos com IA que associam Lula a facções — CNN Brasil



