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Sem desconto: Flávio votou por reduzir as penas do 8 de janeiro

Opinião: quem defende a lei e a ordem não pode dar desconto a quem votou para reduzir penas do 8 de janeiro e prometeu anistia.

Opinião. Este artigo reflete as ideias do autor, não necessariamente as do Jornal Ordem e Progresso.

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Fachada do prédio do STF com vidros quebrados e pichações, grades derrubadas na praça e uma caminhonete com o para-brisa estilhaçado; à esquerda, a estátua da Justiça pichada.
Estragos na sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, fotografados em 10 de janeiro de 2023, dois dias depois dos ataques de 8 de janeiro.Foto: Carlos Moura / SCO / STF / Wikimedia Commons (domínio público)

Em 17 de dezembro de 2025, o Senado aprovou por 48 votos a 25 o projeto que reduz as penas dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou sim.

Nós, que defendemos a Lava Jato, a polícia e o agro, dizemos: lei e ordem não pode ter desconto. Não pode ter desconto para o aliado, nem para quem tem sobrenome importante na política. A regra vale para todos, ou não vale para ninguém.

Em 30 de abril de 2026, o Congresso derrubou o veto do presidente Lula ao mesmo projeto, por 49 votos a 24. Flávio votou para derrubar o veto. A tabela resume as votações e posições públicas dele desde setembro de 2025.

Flávio votou para reduzir penas do 8 de janeiro e para derrubar o veto de Lula Votações e posições públicas de Flávio no Senado, de setembro de 2025 a abril de 2026

Data Tema Posição de Flávio Resultado
Set. 2025 PEC da Blindagem Defendeu como “sobrevivência” Rejeitada por 26 a 0 na CCJ
Dez. 2025 Projeto antifacção Votou sim Aprovado por 64 a 0
17 dez. 2025 Dosimetria: penas do 8 de janeiro Votou sim Aprovado por 48 a 25
30 abr. 2026 Derrubada do veto de Lula à dosimetria Votou para derrubar Derrubado por 49 a 24

Fonte: Agência Senado; InfoMoney; Agência Brasil; Gazeta do Povo; Jornal de Brasília. Elaboração: redação.

O que ele votou e o que promete

Os votos mostram um padrão. Flávio votou para reduzir as penas do 8 de janeiro e para derrubar o veto. Em 8 de janeiro de 2023, as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram atacadas. Ainda hoje, a pena de quem participou é um tema político, e por isso a votação importa.

Em agosto de 2026, ele prometeu anistia durante a transição e, se ela falhar, um indulto. A anistia é uma lei do Congresso que apaga crimes. O indulto é um perdão do presidente da República.

Ele também chamou de “farsa” o julgamento que condenou o pai pela tentativa de golpe. No Jornal Nacional, da TV Globo, em 16 de outubro de 2026, disse que a tentativa de golpe foi apenas uma invasão de prédios. O Aos Fatos, agência de checagem, classificou essa fala como falsa.

Quem trata o 8 de janeiro como invasão de prédios não está falando de lei e ordem. Está escolhendo a versão mais fraca de um ataque às sedes dos Três Poderes. Quem trabalha com a polícia sabe que a lei só funciona se a régua for a mesma para todos.

O que diz Flávio Bolsonaro: Ele insiste que o julgamento do pai foi uma “farsa”. Em agosto de 2026, prometeu anistia na transição e, se ela falhar, um indulto ao pai. Fonte: Euronews.

Lei e ordem com desconto?

Flávio também defendeu a PEC da Blindagem, que protegeria parlamentares de processos. Ele chamou a proposta de “sobrevivência”. Em setembro de 2025, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado a rejeitou por 26 votos a 0.

É justo registrar o que pesa a favor dele. Flávio votou sim ao projeto antifacção, aprovado por 64 votos a 0 no Senado em dezembro de 2025. Foi também relator, no Senado, do projeto que elimina a saída de presos em feriados, aprovado por 62 votos a 2 em fevereiro de 2024.

Esses votos contam, e é justo dizer isso. Mas eles não apagam o voto pela redução de penas do 8 de janeiro. Lei e ordem não é slogan de palanque. Ela exige coerência: a mesma régua para o aliado e para o adversário.

Nós aplaudimos quando a Lava Jato mostrou que político também vai para a cadeia. Aplaudimos porque a regra era a mesma para o empreiteiro e para o deputado. Não faz sentido, agora, defender pena reduzida para quem invadiu o Congresso, o Planalto e o Supremo. Se o crime foi contra o Estado, a resposta precisa ser do Estado, e não de um acordo entre aliados.

A promessa de anistia manda outro recado: crime político tem saída. Para o policial que prende em favela e para o juiz que julga o golpe, o recado é ruim. Quem cumpre a lei precisa de um candidato que não negocie a regra.

A pergunta para quem se diz de lei e ordem é simples. O histórico de 8 de janeiro, da PEC da Blindagem e da promessa de indulto sugere que a régua de Flávio tem exceções. Lei e ordem não tem desconto, nem para o aliado mais próximo. Não entregue essa bandeira a Flávio no dia 25.

Como fizemos: Este é um texto de opinião assinado. Os fatos vêm das votações do Senado e das reportagens listadas em Fontes, acessadas até 21 de outubro de 2026. Os números de votação são os informados pelas reportagens e pela Agência Senado. Não há cálculo próprio nem correção pela inflação.

Fontes