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Dino manda PF investigar interferência estrangeira nas eleições

Decisão cita cinco linhas de apuração, de financiamento oculto a algoritmos e terras raras; suspeitas ainda serão investigadas.

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Flávio Dino, de terno escuro e gravata vermelha, cercado por jornalistas no Senado.
Flávio Dino fala com jornalistas no Senado em novembro de 2023, quando era ministro da Justiça; foto de arquivo.Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito sobre possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras. A apuração terá cinco frentes, do financiamento de campanha à manipulação de algoritmos.

A decisão reúne suspeitas distintas sob uma questão comum: quem tentou influenciar o voto, com quais recursos e em benefício de quem. Inquérito é o procedimento que reúne provas. Sua abertura não confirma as acusações nem transforma os citados em réus.

Cinco frentes para seguir recursos e decisões

Dino mandou examinar tratativas envolvendo a Rockbridge Network e os empresários Tallis Gomes e Pedro Sang. A PF deverá verificar se houve recursos, serviços ou outras vantagens econômicas ligados a uma campanha eleitoral.

Outra frente busca identificar quem pagou publicidade eleitoral atribuída a perfis estrangeiros. Os investigadores também deverão rastrear a origem do dinheiro e a participação consciente de pessoas ou entidades no Brasil.

Investigação vai do dinheiro à atuação das plataformas Cinco linhas de apuração determinadas por Flávio Dino em 27/10/2026

Frente O que a PF deverá esclarecer
Financiamento Tratativas da Rockbridge com Tallis Gomes e Pedro Sang
Publicidade Pagadores, origem financeira e participantes no Brasil
Mineração Vínculo entre apoio político e interesse em terras raras
Contatos Participantes e finalidade de encontros com empresários brasileiros
Plataformas Assimetrias intencionais e manipulação de algoritmos

Fonte: decisão relatada pela Agência Brasil. Elaboração: redação.

A legislação eleitoral proíbe doações diretas ou indiretas de origem estrangeira, inclusive por publicidade. Por isso, a origem e o destino dos pagamentos importam tanto quanto o conteúdo das postagens. Uma publicação em português pode ser contratada fora do país e dirigida ao eleitor brasileiro.

Algoritmos e mineração entram na apuração

Dino citou relatório do Comitê de Supervisão da Meta sobre falhas de integridade eleitoral. Também mencionou preocupações de observadores da Organização das Nações Unidas (ONU). Eles relataram diferenças de alcance, restrições a publicações e tratamento desigual na geração de conteúdo por inteligência artificial.

Esses relatos não provam manipulação deliberada. A PF deverá procurar elementos concretos de assimetrias intencionais. Algoritmo é o conjunto de regras usado por uma plataforma para selecionar e distribuir conteúdo.

A investigação também examinará se apoio eleitoral teve como contrapartida acesso a terras raras e minerais críticos. Terras raras são 17 elementos químicos empregados em produtos de alta tecnologia. Segundo a decisão, os recursos minerais pertencem à União, e sua exploração depende de autorização ou concessão no interesse nacional.

A ordem foi tomada em uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), ação usada para proteger regras da Constituição. Dino separou as denúncias eleitorais desse processo. Elas serão apuradas em investigações próprias, sob supervisão do Supremo.

O que dizem os citados: Tallis Gomes afirmou à Agência Brasil que não exerce função na Rockbridge, não participou de campanhas e não intermediou recursos políticos. A Meta negou favorecimento a candidaturas e atribuiu os problemas relatados a incidentes técnicos, em nota ao G1.

O que a investigação precisa demonstrar

As próximas diligências precisam identificar contratos, pagamentos, participantes e eventuais contrapartidas. No caso das plataformas, será necessário separar falhas técnicas de condutas intencionais. As respostas ainda não estão nos documentos públicos citados.

A apuração protege a soberania eleitoral ao submeter recursos estrangeiros e interesses minerais às regras brasileiras. O resultado pode confirmar, descartar ou delimitar as suspeitas. Até lá, os fatos alegados permanecem sob investigação, com direito de defesa para todos os citados.

Como fizemos: Lemos a decisão conforme reproduzida pela Agência Brasil e a reportagem do G1, ambas acessadas em 27/10/2026. Contamos as cinco linhas de investigação listadas no texto da Agência Brasil e as reunimos na tabela. Não tivemos acesso ao inteiro teor da decisão nem verificamos autonomamente os relatórios da Meta e da ONU.

Fontes