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Contenção tem 4 mil horas de vídeo e lacunas em câmeras
Um ano após operação com 122 mortos, MPRJ analisa imagens e laudos; só 62 dos 685 policiais civis usaram câmeras corporais.
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Um ano depois da Operação Contenção, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) reuniu 4 mil horas de imagens de câmeras corporais. Mesmo com esse volume, a investigação ainda não concluiu as circunstâncias das 122 mortes ocorridas nos dias 28 e 29 de outubro de 2025.
Os números divulgados nesta terça-feira (27) mostram uma contradição central. Há muitas horas de vídeo, mas faltam registros de partes da ação. Só 62 dos 685 policiais civis que participaram usaram efetivamente câmeras, proporção de 9%.
O que a investigação já reuniu
A operação nos complexos do Alemão e da Penha matou 117 pessoas que não eram policiais e cinco agentes. A Polícia Civil afirmou que os 117 morreram em confrontos. Moradores e parentes relataram episódios de tortura e execução, ainda sob apuração.
O MPRJ ouviu 255 policiais civis e militares e 61 pessoas presas na ação. Também contatou parentes de todos os mortos e conseguiu ouvir 45 deles. Promotores acompanham necropsias e analisam laudos e imagens.
Câmeras não cobriram toda a atuação policial Registros e balanços da Operação Contenção informados pelo MPRJ
| Item | Total informado |
|---|---|
| Horas de vídeo obtidas | 4.000 |
| Policiais civis participantes | 685 |
| Policiais civis que usaram câmeras | 62 (9%) |
| Equipamentos do Bope analisados | 51 |
| Equipamentos desligados propositalmente | ao menos 17% |
| Policiais denunciados por outros crimes | 28 |
Fonte: MPRJ, conforme reportagem da Agência Brasil. Percentual de 9% calculado pela redação.
Dois casos foram classificados como atípicos pelos peritos: uma morte por disparos a curta distância e uma decapitação. Segundo o promotor Fabio Corrêa, esses achados não são conclusivos. A ausência de perícia no local dos fatos dificulta a reconstrução dos episódios.
Lacunas limitam o controle da atividade policial
Nas câmeras analisadas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), ao menos 17% foram desligadas propositalmente. Em 7,8%, há indícios de obstrução da lente. Autoridades atribuíram outras interrupções ao esgotamento das baterias.
As lacunas importam porque a câmera registra onde o agente esteve e o que fez. Sem imagem contínua, a apuração depende mais de depoimentos, laudos e outros vestígios. O vídeo existente também precisa ser cruzado com cada local e horário.
Em março, o MPRJ recomendou melhor planejamento, distribuição de equipamentos e identificação dos agentes. Pediu câmeras para todo o efetivo do Bope e ampliou as situações em que a Polícia Civil deve usá-las.
Até agora, 28 policiais foram denunciados à Justiça por crimes como desvio de fuzis apreendidos, furtos, invasões de domicílio e constrangimento de moradores. Denúncia é acusação formal apresentada pelo Ministério Público. Ela não equivale a condenação.
O que dizem o MPRJ e as polícias: Fabio Corrêa afirmou que o Ministério Público pretende dar respostas definitivas sobre as mortes. À Agência Brasil, a Polícia Militar não concedeu entrevista, a Polícia Federal disse não comentar investigações, e a Polícia Civil e a Secretaria de Segurança não responderam.
O que ainda está aberto
A investigação principal precisa estabelecer como cada pessoa morreu e quem responde por cada conduta. Os 28 policiais denunciados por outros crimes têm direito à defesa. As acusações não resolvem a apuração sobre as mortes.
O balanço de um ano mostra que volume de prova não elimina falhas de controle. Câmeras distribuídas, ligadas e preservadas são parte da responsabilização. O próximo marco será a conclusão das análises periciais e a decisão do MPRJ sobre as mortes.
Como fizemos: Consultamos a reportagem da Agência Brasil publicada em 27/10/2026, com dados e declarações do MPRJ. Calculamos a proporção de policiais civis com câmeras dividindo 62 por 685, resultado de 9,05%, arredondado para 9%. Os dados não informam a duração das lacunas em cada câmera nem permitem concluir as circunstâncias das mortes.
Fontes
- Um ano depois, mortes da Operação Contenção ainda são investigadas — Agência Brasil (acesso em 27/10/2026)
- MPRJ denuncia mais oito PMs que participaram da Operação Contenção — Agência Brasil (acesso em 27/10/2026)
- Complexo do Alemão — foto de Acediscovery, Wikimedia Commons (CC BY 4.0) (acesso em 27/10/2026)



