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Governo do RJ quer contratar câmeras para policiais até março de 2027

Plano estadual prevê concluir a licitação até março de 2027, após reunião com o MPRJ. Quantidade, custo e data de uso ainda não foram divulgados.

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Viatura blindada da Polícia Militar, com a inscrição 'POLÍCIA MILITAR', e policiais caminhando atrás dela em uma rua de favela
Viatura da Polícia Militar e policiais em rua do Complexo do Alemão, no Rio, em foto de arquivo de novembro de 2010.Foto: Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)

O governo do Rio de Janeiro pretende concluir a licitação e contratar novas câmeras corporais para as forças de segurança estaduais até março de 2027. A previsão foi apresentada em reunião do Ministério Público do Rio (MPRJ) com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP), na segunda-feira (19). A informação é da Agência Brasil.

A compra atende a um pedido do MPRJ feito após a Operação Contenção. A ação, em outubro de 2025, teve como alvo o Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão. Deixou 122 mortos, segundo a Agência Brasil, e é considerada a mais letal da história do estado.

Câmeras como prova para dois lados

Câmeras corporais são aparelhos presos ao uniforme do policial. Elas registram a ação e guardam as imagens.

O promotor Fabio Corrêa, do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) do MPRJ, afirmou: “Trata-se de uma ferramenta fundamental para assegurar maior transparência às operações policiais”. Segundo ele, a ferramenta também fortalece “a segurança dos próprios agentes”.

Os dados preliminares do MPRJ mostram como a gravação pode falhar. Na análise dos equipamentos de 51 policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), os agentes retiraram as câmeras em 17% dos casos analisados até agora. Em 7,8% deles há indícios de obstrução proposital das imagens. Em 82%, a análise preliminar aponta uso correto.

O prazo no Supremo

O caso também tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), na ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”. ADPF é uma ação que pede ao tribunal a correção de violação a preceito fundamental da Constituição.

Em 29 de abril de 2026, o ministro Alexandre de Moraes deu à Polícia Federal (PF) 90 dias para periciar as imagens. O prazo só começa a contar quando a PF receber todo o material em mídias físicas.

Em 8 de outubro, Moraes enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) 118 laudos da PF. Laudo é o relatório técnico de uma perícia. Doze deles usam vídeos de câmeras corporais de policiais da Core, unidade da Polícia Civil, e os outros 106 se baseiam em fotografias. O trabalho sobre as imagens dos policiais militares ainda não terminou, segundo a Sociedade Militar.

O que ainda não se sabe

O anúncio deixa perguntas sem resposta:

  • Quantas câmeras serão compradas. A reportagem não informa o número.
  • Quanto o contrato vai custar. Nenhuma fonte consultada publicou o valor.
  • Quando os aparelhos chegam às ruas. Março de 2027 é a previsão para o contrato, não para o uso.
  • Quem terá acesso às imagens, por quanto tempo e em que condições. O plano fala em guarda do Estado, mas não detalha as regras.

O que diz a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP): Segundo a nota do MPRJ sobre a reunião, o secretário Victor dos Santos disse que as imagens devem ficar “sob a guarda do Estado”, preservando as provas. Ele afirmou que a medida permite acesso direto e imediato dos órgãos de fiscalização. Não encontramos nota própria da pasta sobre edital, quantidade ou custo.

O que isso significa

Se o cronograma for cumprido, o Rio terá o contrato assinado até março de 2027. O prazo, porém, depende da licitação e não garante que os aparelhos estejam em uso naquela data. Mesmo na análise preliminar do MPRJ, uma parte dos casos aponta retirada ou obstrução das imagens. Por isso, as regras de guarda e acesso às gravações são o ponto a acompanhar até o edital.

Como fizemos: Usamos a reportagem da Agência Brasil de 20/10/2026, a nota do MPRJ sobre a reunião de 19/10/2026, as reportagens da Agência Brasil de 29/04/2026 e 25/06/2026 e a da Sociedade Militar sobre a decisão de 8 de outubro, acessadas em 23/10/2026. Não fizemos cálculos próprios. O plano não informa quantidade, custo nem edital, e os números da análise do Bope são preliminares.

Fontes