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Ficcos reúnem polícias sob coordenação da PF; Lula propõe reforçá-las

Forças-tarefas coordenadas pela PF reúnem polícias e órgãos federais e estaduais, e Lula propõe fortalecê-las, segundo o Exame.

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Agente da Polícia Federal de colete com a sigla da corporação e militar de capacete observam um helicóptero ao fundo, perto de um rio na Amazônia.
Agentes da Polícia Federal e militares da Marinha atuam juntos na Operação Ágata Amazônia 2023, na Amazônia (foto de arquivo, de outra operação).Foto: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

No dia 16 de setembro de 2026, forças-tarefas chamadas Ficcos atuaram em 19 estados contra o crime organizado. Segundo a Polícia Federal (PF), citada pela Sociedade Militar, a ação resultou em 137 presos e em mais de R$ 508 milhões em bloqueios judiciais de bens e ativos.

Ficco é a sigla de Força Integrada de Combate ao Crime Organizado. O plural é Ficcos. O tema também entrou na campanha presidencial. Segundo o Exame, o programa de Lula prevê fortalecer essas forças.

Quem participa e o que faz

A Ficco é uma força-tarefa coordenada pela PF. Ela reúne, conforme a composição de cada unidade da Federação, integrantes de órgãos estaduais e federais. Entre eles estão as polícias Civil, Militar e Penal, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen). Segundo a Agência Gov, participam também as secretarias de segurança pública e as guardas municipais.

Segundo reportagem do Itatiaia, a coordenação cabe à PF, “sem hierarquia entre os órgãos participantes”. Não encontramos, nas descrições oficiais e nas reportagens consultadas, o Ministério Público (MP) como integrante. O mesmo vale para a Receita Federal, que cuida dos impostos, e para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo a Senappen, as Ficcos existem para desarticular facções que atuam dentro e fora dos presídios. Elas também combatem o tráfico de drogas, armas e munições. Enfrentam ainda roubos de cargas e bancos e a lavagem de dinheiro, que é esconder a origem ilegal de valores.

Quantas existem e o que já fizeram

O número de unidades depende da fonte. Segundo a PF, citada pela Sociedade Militar, existem 41 unidades no país. Nas grandes operações, porém, atuam menos bases: 20 na Força Integrada IV, segundo a mesma reportagem.

Duas operações nacionais de 2026, com os números divulgados Estados, bases e resultados informados em cada divulgação

Operação Estados Resultado informado
Força Integrada III (8/7) 14 a 16, conforme a fonte 19 Ficcos; 93 mandados de prisão e 181 de busca e apreensão
Força Integrada IV (16/9) 19 20 bases; 137 presos e mais de R$ 508 milhões em bloqueios

Fonte: Agência Gov (08/07/2026); Itatiaia (16/09/2026); Sociedade Militar (20/09/2026). Elaboração: redação.

Os números são comunicados pelas próprias forças e a reportagem não os auditou. O Ministério da Justiça falou em cerca de R$ 510 milhões na Força Integrada IV, ao somar bens móveis apreendidos, segundo a Sociedade Militar.

O que diz a Polícia Federal: Segundo o Itatiaia, a PF coordena as ações das Ficcos “sem hierarquia entre os órgãos participantes”. A redação não enviou perguntas à PF para este texto; a posição vem de reportagens publicadas.

O que propõe Lula

Em reportagem de 23 de outubro de 2026, o Exame informa que a proposta de Lula (PT) “prevê fortalecer as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos)”. Na parte consultada, a reportagem não detalha como isso seria feito.

O programa também prevê ampliar a participação do governo federal no combate ao crime organizado. A criação de um Ministério da Segurança Pública está condicionada à aprovação da PEC 18/2025, segundo o Exame. As reportagens consultadas não trazem proposta específica sobre as Ficcos no plano de Flávio Bolsonaro (PL).

O que segue em aberto

Três pontos seguem em aberto. Não encontramos balanço oficial consolidado com o número de unidades, e unidades não são o mesmo que bases. Também não achamos o ato de criação das Ficcos nem a data em que começaram. A proposta de Lula ainda não tem desenho detalhado nas fontes consultadas.

O próximo passo é um balanço oficial da PF ou do Ministério da Justiça, com período, método e número de unidades. Sem isso, comparar operações e resultados exige cautela.

Como fizemos: Consultamos a página da Senappen sobre a Ficco, a Agência Gov (08/07/2026), o Itatiaia (16/09/2026), a Sociedade Militar (20/09/2026) e o Exame (23/10/2026), acessados em 24/10/2026. Os números das operações são os informados pelas forças e não foram verificados de forma independente. Não fizemos cálculos próprios. Não encontramos dados oficiais consolidados sobre o total de Ficcos nem sobre resultados acumulados.

Fontes