Crime organizadoGroaíras

Facções ameaçam comércio e provedores no interior do Ceará

Mensagens com ordens de fechamento e pichações de '24 horas para sair' atingiram Groaíras; a Polícia Civil investiga e a SSPDS diz que combate os crimes.

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Fachada de prédio de cinco andares em estilo art déco, com a placa da Polícia Civil na entrada, em rua de Fortaleza com carros estacionados e pedestres.
Palácio da Polícia Civil do Ceará, em Fortaleza. A Polícia Civil investiga as ameaças atribuídas a facções no interior do estado (foto de arquivo).Foto: Eudoxio / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Na sexta-feira (23), o comércio de Groaíras, no norte do Ceará, fechou as portas após mensagens atribuídas a uma organização criminosa, segundo o portal cn7. Uma das mensagens fixava o fim das atividades a partir das 15h. As reportagens consultadas não informam prisões no caso.

As mensagens também atingiam empresas de internet e vendedores de água. Segundo o cn7, elas diziam que esses serviços deveriam ser suspensos no município. Provedor de internet é a empresa que vende acesso à rede, em geral de alcance regional.

Reportagens diferentes descrevem o episódio de formas próximas. O Diário do Nordeste (DN) fala em um muro de provedor pichado com a ordem “24 horas para sair”. O cn7 diz que a fachada de um provedor no bairro Cacimba Nova foi pichada com a sigla do Comando Vermelho (CV). As reportagens divergem sobre o horário: uma fala em madrugada, outra em manhã.

Uma semana antes, pichações em Alcântaras, também no norte do estado, deram 24 horas para o fechamento de duas empresas de internet. Segundo o DN, a ameaça dizia que a facção iria “queimar tudo”.

Polícia investiga e reforça patrulhas

Segundo o cn7, a Polícia Civil investiga o caso com a Draco Norte, unidade da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), e a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Sobral. A investigação conta com apoio de setores de inteligência.

A Polícia Militar foi acionada e reforçou o policiamento na região. De acordo com o DN, a corporação também apagou as pichações em Groaíras.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) afirmou, segundo o cn7, que os crimes vêm sendo combatidos com mapeamento, monitoramento e prisão dos suspeitos. A pasta disse que tem um protocolo desde julho de 2025 contra ameaças e extorsão de comerciantes.

Uma prisão em Fortaleza

Segundo o DN, na quinta-feira (22) uma mulher foi presa em Fortaleza. Ela é suspeita de chefiar a facção Massa e de ordenar expulsões no bairro Cajazeiras. Ela nega ter ordenado a expulsão. As reportagens consultadas não ligam esse caso a Groaíras.

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva após audiência de custódia. A preventiva é decretada antes de uma sentença final. Segundo o DN, a investigada foi enquadrada em “domínio social estruturado”, previsto na lei do combate ao crime organizado.

O mesmo jornal informou que a SSPDS investiga, como “deslocamento forçado”, a expulsão de moradores do Barreirão, entre Cajazeiras e Jangurussu. A disputa ocorre entre o CV e a Massa.

Em abril, a SSPDS contabilizou 186 presos desde julho de 2025 por expulsão de moradores e extorsão de provedores, segundo O Povo. Foram 100 por expulsão e 86 por extorsão. Esse balanço é anterior aos casos de outubro.

O que diz a SSPDS: Segundo o cn7, a secretaria afirmou que os crimes vêm sendo combatidos com mapeamento, monitoramento e prisão dos suspeitos. Não localizamos nota da pasta publicada em seu site sobre Groaíras.

O que isso significa

Os casos mostram um padrão: ameaças com prazo de 24 horas, feitas por pichação e mensagens, contra pequenos negócios e provedores de internet. As reportagens ainda não identificam quem escreveu as mensagens em Groaíras.

O que segue em aberto é a investigação da Polícia Civil, sem prazo informado, e se os casos têm ligação entre si. Quando o comércio fecha por ordem criminosa, o prejuízo recai sobre o comerciante e sobre quem depende dele.

Como fizemos: Reconstruímos os casos a partir de reportagens publicadas entre 16 e 24 de outubro de 2026, acessadas em 24/10/2026. Não localizamos boletim de ocorrência, nota oficial publicada no site da SSPDS nem a íntegra das mensagens. Os horários do episódio de Groaíras variam entre as reportagens. Os números de abril da SSPDS não cobrem o período de outubro.

Fontes