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Boletim de urna é a prova de cada seção, e fiscais recebem cópias

Boletim de urna, QR code e totalização permitem conferir cada seção. Veja o que o TSE disse sobre a sala-cofre após a eleição de domingo.

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Tiras de boletins de urna impressos, penduradas em parede de azulejos, com etiquetas de zonas eleitorais e QR codes visíveis.
Boletins de urna impressos e expostos por zona eleitoral em Feira de Santana (BA), em 27 de outubro de 2022.Foto: Albertoleoncio / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Ao fim da votação de domingo (25), cada urna imprimiu um boletim com o resultado da própria seção. Esse papel é o primeiro registro que permite conferir a eleição. Na noite de domingo, Flávio Bolsonaro (PL) disse que não reconhece o resultado. Na segunda-feira (26), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) respondeu com uma nota.

Para entender o que está em disputa, é preciso saber o que certifica um resultado. São quatro etapas, e cada uma deixa um registro.

O que é o boletim de urna

O boletim de urna (BU) é o relatório que a urna emite ao fim da votação. Ele traz os votos de cada candidato e de cada partido, os votos brancos e nulos e o comparecimento. Também identifica a seção, a zona eleitoral e a urna, segundo a Politize.

A urna imprime cinco vias. Uma fica afixada na entrada da seção, e outra vai ao representante dos partidos. Duas seguem para a junta eleitoral, e uma fica com o presidente da seção. A via afixada pode ser fotografada por qualquer cidadão, segundo a Jovem Pan.

QR code e totalização

O BU traz um QR code, o quadrado com padrão de pixels que o celular lê. Com o aplicativo Boletim na Mão, a leitura confirma a autenticidade do documento e mostra os dados da seção. Esses dados podem ser comparados com o BU eletrônico publicado no portal do TSE, conforme a Politize.

A totalização é a soma de todas as seções. A junta envia os dados ao TSE, em Brasília, onde são checados de novo e somados aos demais. Partidos também fazem conta própria com as cópias impressas. Segundo a Jovem Pan, se o resultado publicado diferir do BU impresso, o papel serve como prova para contestar aquela urna.

Etapa O que confere Quem acompanha
Boletim de urna impresso Votos por candidato e partido, brancos e nulos Fiscais e eleitores
QR code Dados da seção, com validação Aplicativo Boletim na Mão
Totalização Soma de todas as seções Junta, TSE e partidos
Teste de integridade Voto digitado na urna e contagem em papel Partidos e auditoria externa

Fonte: Politize; Poder360; Jovem Pan. Elaboração: redação.

Teste de integridade e código-fonte

No dia da eleição, o TSE realiza o teste de integridade. Votos marcados antes em cédulas de papel são digitados em urnas sorteadas, e o resultado é comparado com a contagem em papel. Partidos podem escolher ou sortear as urnas na véspera, segundo o Poder360, com dados de 2022.

Em nota de julho, o TSE afirmou que nenhuma verificação da etapa de confirmação, concluída em maio, apontou falhas capazes de comprometer o sigilo do voto ou alterar o resultado, segundo o DGABC. Desde outubro de 2025, partidos, universidades, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Tribunal de Contas da União (TCU) podem se inscrever para inspecionar o código-fonte das urnas, informa a CNN Brasil.

A sala-cofre e a alegação do PL

Na nota publicada em 26 de outubro, o TSE disse: “A sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação.” Outras áreas, como a Sala de Totalização, podem ser visitadas por fiscais de partidos, observadores, advogados e membros do Ministério Público (MP), segundo o SBT News.

O tribunal afirmou que dois fiscais do PL estiveram no TSE no domingo. Eles acompanharam o teste de integridade, a totalização e a divulgação, e visitaram a Sala dos Partidos Políticos, no 5º andar. Segundo a nota, há “registro de presença nos locais visitados, além de filmagem na Sala de Totalização” (SBT News; Terra).

Flávio afirmou que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre. O TSE classificou a afirmação como falsa. As reportagens consultadas não descrevem provas apresentadas pelo partido. Também não encontramos descrição oficial detalhada das funções da sala-cofre.

O que acontece agora

Flávio disse que vai pedir a anulação da eleição. Nas fontes consultadas, não há registro de pedido protocolado. Um pedido desse tipo precisa de provas e passa pela Justiça Eleitoral.

Os documentos disponíveis para essa checagem são o BU impresso, o QR code e a totalização. Cada um pode ser comparado com os outros, seção por seção.

O que diz Flávio Bolsonaro: Ele disse que não reconhece o resultado e que vai pedir a anulação da eleição. Segundo reportagens de 25 e 26 de outubro, afirmou que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre. Até a publicação, não localizamos resposta dele à nota do TSE.

Como fizemos: Usamos a nota do TSE publicada em 26 de outubro de 2026 e reportagens de 25 e 26 de outubro, consultadas em 26/10/2026. Os sites do TSE e dos tribunais regionais não abriram para consulta direta nesta data, então o conteúdo oficial foi verificado por meio de reportagens. As descrições do BU, do QR code e do teste de integridade vêm de reportagens de 2022 e 2025, e podem ter mudado em 2026. Não fizemos cálculos próprios.

Fontes