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Eleição segura foi conquista do Estado; respeitar o resultado é dever

Polícia Federal e Ministério da Justiça contaram ocorrências, mas não localizamos violência grave. Flávio Bolsonaro diz não reconhecer o resultado.

Tribuna. Este artigo reflete as ideias do autor, não necessariamente as do Jornal Ordem e Progresso.

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Mão de uma pessoa pressiona a tecla verde CONFIRMA em uma urna eletrônica, com outras urnas ao fundo.
Urna eletrônica com a tecla CONFIRMA em destaque, em foto de arquivo do Tribunal Superior Eleitoral tirada em dezembro de 2021.Foto: Tribunal Superior Eleitoral / Wikimedia Commons (domínio público)

No domingo (25), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, anunciou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Pelos totais do TSE, Lula teve 51,79% dos votos válidos, e Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), teve 48,21%. Na mesma noite, Flávio disse que não reconhece o resultado.

A tese deste texto é simples. Uma eleição feita sob a proteção das polícias e da Justiça, com um resultado aceito pelas instituições, é uma conquista de segurança pública. Respeitar esse resultado é dever de todo político, eleito ou derrotado.

O que as forças de segurança registraram

A Polícia Federal (PF) divulgou um balanço parcial às 15h. Ele registrou 41 pessoas conduzidas às delegacias e dois inquéritos policiais, que são investigações formais. Na atualização das 19h, reportada pelo Times Brasil, os números subiram para 71 pessoas, seis inquéritos e 57 termos circunstanciados, um registro simplificado de ocorrências de menor gravidade.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) também publicou dados do Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN). Às 17h, o centro contou 413 ocorrências de crimes eleitorais e 43 prisões em flagrante. A violação do sigilo do voto foi o crime mais frequente, com 149 registros.

Não localizamos registro de morte, tiroteio ou ataque a uma seção eleitoral nas fontes consultadas. O caso mais grave citado nas reportagens ocorreu em Fortaleza. Um eleitor quebrou uma urna depois de discutir com mesários, e a PF lavrou prisão em flagrante, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE). A votação na seção seguiu, e a máquina foi substituída.

Segundo o TSE, 1.551 das 499 mil urnas precisaram ser trocadas, o equivalente a 0,31%.

O que foi contestado, e o argumento contrário

Flávio reagiu à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu a votação até as 19h. Ele chamou a medida de “inaceitável” e disse que houve “quebra total de isonomia entre os brasileiros de diferentes Estados”. Depois, afirmou: “É impossível reconhecer o resultado”.

Flávio também disse: “Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”. Até a publicação, não localizamos pedido de anulação protocolado no TSE. Também não localizamos nota oficial do PL sobre o resultado.

O argumento contrário tem parte verdadeira. Integrantes do TSE, ouvidos sob reserva pela CNN Brasil, falaram em “interferência de Zanin em uma atribuição do TSE”. Segundo o Senado Notícias, a totalização dos votos foi pausada e retomada depois das 19h.

A resposta tem três partes. Primeiro, a prorrogação valia só para as seções que ainda não tinham fechado. Zanin esclareceu que “nas urnas que já foram fechadas os votos serão computados e totalizados”. Segundo, a campanha do próprio Flávio pediu prorrogação em municípios de cinco estados, segundo a Exame. Terceiro, o presidente do TSE afirmou que “Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”.

Flávio também disse: “Nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre”. Não localizamos resposta do TSE a essa afirmação. Se houve irregularidade, o caminho existe: provas, recurso e análise pela Justiça Eleitoral. Isso é diferente de recusar o resultado antes de qualquer análise.

O que se espera de quem disputa

A noite de domingo deixou um teste para a democracia. As polícias publicaram balanços, a Justiça Eleitoral anunciou o resultado e os números ficaram à vista de todos. Essa transparência é parte da segurança pública, porque protege o eleitor de quem tenta tumultuar o voto.

Ao aceitar o resultado, o político diz ao eleitor que a eleição valeu. Quem perde pode recorrer e pedir revisão pelos canais legais. Não deve, porém, colocar em dúvida o voto de milhões de pessoas sem apresentar provas. Esse é o dever de quem disputa uma eleição.

O que diz Flávio Bolsonaro: Na noite de domingo (25), ele afirmou que “É impossível reconhecer o resultado” e que a campanha vai pedir a anulação da eleição. A declaração foi publicada pela Gazeta do Povo, pelo Poder360 e pelo Senado Notícias. Esta apuração não teve resposta direta de Flávio nem do PL.

Como fizemos: Usamos os totais do TSE e as declarações de TSE e de Flávio Bolsonaro publicados em 25 de outubro de 2026, consultados em 26/10/2026. Os balanços da PF (15h e 19h) e do MJSP (17h) são parciais, de horários diferentes, e não foram somados entre si. A diferença de votos, de cerca de 4,4 milhões, foi calculada pela redação a partir dos totais do TSE (64.256.232 e 59.826.041). As fontes não informam quantos votos a prorrogação afetou, e o texto não faz essa estimativa.

Fontes