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Operação mira milícia que cobrava taxa de segurança em Nova Iguaçu

Operação da 52ª DP faz buscas em quatro bairros de Nova Iguaçu contra grupo ligado a Juninho Varão, suspeito de cobrar taxa de segurança.

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Vista do centro de Nova Iguaçu, com prédios altos ao fundo, colinas, uma igreja e um gramado em primeiro plano.
Vista do centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, em foto de arquivo de 2022. A imagem não mostra a operação.Foto: Igor Ramos / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Nesta terça-feira (27), policiais civis da 52ª Delegacia de Polícia (DP), em Nova Iguaçu, deflagraram uma operação contra um grupo criminoso. Segundo o jornal O São Gonçalo, há mandados de busca e apreensão em quatro bairros do município. O Ministério Público (MP) apoia a ação.

O grupo é conhecido como “Bonde do Varão”. A reportagem o liga a Gilson Ingrácio de Souza Júnior, conhecido como “Juninho Varão”, e trata o caso como milícia. Milícias são grupos armados que controlam territórios e cobram taxas da população.

Taxas, água e gelo

Segundo a reportagem, o grupo exigia pagamentos periódicos, chamados de “taxa de segurança”, de comerciantes e condomínios. Moradores também eram obrigados a comprar água e gelo de fornecedores indicados pelo grupo.

Uma das contas analisadas pelos investigadores movimentou cerca de R$ 373 mil em apenas seis meses. O texto consultado não identifica o titular da conta. Com autorização judicial, a polícia também obteve ordens de bloqueio de bens e valores, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e de dados telemáticos.

Entre os locais de busca estão uma fábrica de gelo e um galpão usado para guardar e distribuir galões de água. Os bairros citados são Valverde, Jardim Alvorada, Jardim Jasmim e Jardim Pernambuco.

Outras operações contra o mesmo grupo

Em agosto, a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram a Operação Fora de Ordem contra a milícia chefiada por Juninho Varão. Segundo reportagem de O Globo, republicada pelo Tribuna do Sertão, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão. A investigação identificou movimentações atípicas superiores a R$ 350 milhões, com base em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de inteligência financeira do governo. Os investigados podem responder por organização criminosa armada, extorsão e lavagem de capitais, segundo a mesma reportagem.

Em 14 de outubro, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), da Polícia Civil, fez outra operação contra o grupo. O foco foi o condomínio Jardim Guandu, em Nova Iguaçu. Segundo o Correio da Manhã, a cobrança era de R$ 70 por apartamento, por mês. A polícia estimou a arrecadação em R$ 85 mil a R$ 100 mil por mês.

O que diz a Polícia Civil do Rio: A reportagem de O São Gonçalo não traz declaração da corporação. O texto diz apenas que a operação “está em andamento”. Até o fechamento deste texto, não localizamos nota oficial da Polícia Civil nem do MPRJ.

O que ainda não se sabe

A reportagem não informa o número de mandados desta operação. Também não traz prisões, apreensões nem acusações formais. O texto não cita denúncia do MP nem processo na Justiça.

Não localizamos manifestação da defesa de Juninho Varão nas fontes consultadas.

As investigações apontam que o grupo cobrava de comércio e condomínios. O valor de R$ 373 mil refere-se a uma única conta e a seis meses. Ele não mostra quanto o grupo arrecadou no total. Os investigados têm direito à presunção de inocência, e nenhuma condenação foi citada. Em aberto estão o resultado das buscas e o destino dos bens bloqueados.

Como fizemos: Lemos a reportagem de O São Gonçalo publicada em 27/10/2026. Cruzamos com reportagens do Correio da Manhã, sobre a operação de 14/10/2026, e do Tribuna do Sertão, sobre a operação de agosto, acessadas em 27/10/2026. Os valores são os informados por essas reportagens; não fizemos cálculos próprios. O Enfoco, indicado como fonte, não tinha reportagem localizada sobre a operação. Não houve contato direto com a Polícia Civil nem com o MPRJ, e não tivemos acesso ao processo.

Fontes