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Polícia prende seis por infiltração do crime em empresa de ônibus

Operação mira lavagem de dinheiro na Transunião e restringe centenas de bens; nota oficial apresenta divergência nos totais de mandados.

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Viatura vermelha e branca da Polícia Civil de São Paulo estacionada.
Viatura da Polícia Civil de São Paulo em abril de 2012; imagem de arquivo.Foto: EUDOXIO / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A Polícia Civil de São Paulo prendeu seis investigados nesta quarta-feira (28), em operação sobre infiltração do crime organizado no transporte coletivo da capital. A ação apura organização criminosa e lavagem de dinheiro ligadas à empresa Transunião Transportes.

O trabalho reuniu o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo a Polícia Civil, pessoas interpostas, conhecidas como laranjas, ocultavam a influência de integrantes da organização na administração da empresa.

Balanço oficial tem divergência numérica

A nota do governo paulista informa sete mandados de prisão preventiva, seis pessoas presas e dois investigados não localizados. Se cada mandado tivesse um alvo, restaria uma pessoa por localizar, não duas. A publicação não explica essa diferença.

Por isso, os três números precisam ser apresentados como foram divulgados, sem criar um total de alvos. A redação não encontrou esclarecimento adicional na fonte oficial. A divergência não altera o total de seis prisões afirmado pela Polícia Civil.

Prisões e patrimônio compõem o balanço da operação Medidas divulgadas pelo governo de São Paulo em 28/10/2026

Item Quantidade informada
Mandados de prisão preventiva 7
Pessoas presas 6
Investigados não localizados 2
Imóveis sequestrados 21
Veículos com transferência restringida 408
Embarcações bloqueadas 6
Pessoas físicas e jurídicas com bens indisponíveis 136

Fonte: Polícia Civil de São Paulo. Elaboração: redação. A nota não reconcilia os três primeiros números.

A prisão preventiva é uma medida adotada durante a investigação ou o processo, sem condenação definitiva. A Polícia Civil informa que o inquérito foi concluído e o Ministério Público ofereceu denúncia. A nota não esclarece quando a Justiça recebeu a acusação nem o andamento de cada caso.

Medidas patrimoniais ainda não têm valor total

Além das prisões, a investigação apreendeu R$ 158,9 mil em espécie, US$ 2.417 e € 1.465. Dez veículos, cerca de 40 relógios de luxo e joias também foram recolhidos. Entre os automóveis estão modelos Porsche Macan, BMW e RAM Rampage.

A Justiça determinou sequestro de imóveis e bloqueios em instituições financeiras. O Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário, chamado Sisbajud, permite localizar e bloquear recursos por ordem judicial. O governo ainda consolida os valores totais.

Sequestro, restrição e indisponibilidade impedem diferentes formas de movimentação patrimonial. Nenhuma dessas medidas representa transferência definitiva dos bens ao Estado. O destino depende do processo e das decisões judiciais posteriores.

O que diz o Deic: O delegado Ronaldo Sayeg afirmou que a apuração encontrou movimentações financeiras suspeitas e mecanismos para ocultar a origem e a titularidade de bens. Segundo ele, foram reunidos elementos sobre vínculos entre integrantes da organização e pessoas com funções de direção ou influência na empresa.

Investigação patrimonial continua

A Polícia Civil segue tentando localizar os investigados citados como foragidos e rastrear recursos suspeitos. Também não há valor consolidado para todos os bens atingidos. Somar preços estimados agora criaria uma precisão que o balanço oficial não oferece.

O caso coloca a investigação financeira no centro do enfrentamento ao crime no transporte. O próximo capítulo deverá esclarecer as responsabilidades individuais, o destino do patrimônio e a divergência numérica apresentada na nota oficial.

Como fizemos: Conferimos a nota da Agência SP publicada em 28/10/2026 e separamos prisões, denúncia e medidas patrimoniais. Comparamos os totais de mandados, prisões e pessoas não localizadas e registramos a inconsistência sem estimar um número de alvos. Não convertemos moedas estrangeiras nem atribuímos valores aos bens.

Fontes