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Dados não confirmam que a criminalidade “explodiu” no Brasil

Flávio Bolsonaro disse no debate da Band que a criminalidade explodiu. Anuário e Atlas da Violência mostram taxas de homicídio em queda.

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Senador Flávio Bolsonaro, de terno cinza e gravata amarela, concede entrevista a uma equipe de imprensa com câmera e microfone em um corredor.
Flávio Bolsonaro, então senador pelo PL do Rio de Janeiro, concede entrevista à imprensa em maio de 2022.Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

No debate da Band, no domingo (18), o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro disse que “a criminalidade explodiu no Brasil”. A Aos Fatos checou a frase na mesma noite e classificou a afirmação como falsa. Os dados oficiais mais recentes apontam o contrário: a violência letal caiu nos últimos anos.

Para testar a frase, usamos duas publicações oficiais. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mede as mortes violentas intencionais (MVI). Essa conta inclui homicídios, feminicídios, latrocínios (roubos seguidos de morte) e mortes em ações policiais.

O Atlas da Violência, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com o FBSP, mede os homicídios. Ele compara o período de 2014 a 2024.

Taxas caíram nas duas séries

Pelo Atlas, a taxa nacional de homicídios passou de 30,2 para 20,1 por 100 mil habitantes entre 2014 e 2024. A queda é de 33,4%. Em 2024, foram 42.590 homicídios registrados. A Rádio Senado destacou que a taxa é a menor dos últimos 11 anos.

O Anuário segue a mesma direção. Em 2025, foram 40.775 mortes violentas intencionais, 8,2% a menos que em 2024. A taxa ficou em 19,1 por 100 mil habitantes, a menor desde 2012, quando era 27,7.

Taxa de mortes violentas e de homicídios caiu nas duas séries oficiais Taxa por 100 mil habitantes, anos selecionados

Indicador e fonte Ano Taxa
MVI (Anuário) 2012 27,7
Homicídios (Atlas) 2014 30,2
Homicídios (Atlas) 2024 20,1
MVI (Anuário) 2025 19,1

Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (FBSP); Atlas da Violência 2026 (Ipea e FBSP). Elaboração: redação.

Os homicídios dolosos, isto é, intencionais, caíram 10% em 2025. Foram 32.914 casos, com taxa de 15,4 por 100 mil.

Onde os números pioram

A queda nacional não aparece em todos os estados. Sete unidades da federação tiveram alta de mortes violentas em 2025. A maior foi no Rio Grande do Norte, de 19,6%. Rondônia subiu 7,5%, o Acre 6,3% e Roraima e o Distrito Federal, 5,8% cada.

Duas áreas também pioraram. As mortes em intervenções policiais somaram 6.602 em 2025, alta de 5,4% e o maior número da série. Os feminicídios chegaram a 1.571 casos, também recorde, com alta de 4%. A Aos Fatos observa que parte desse aumento reflete melhor registro dos casos.

Há ainda um alerta sobre o que a estatística não captura. Segundo o Correio Braziliense, os chamados homicídios ocultos subiram 88,6% entre 2023 e 2024. Eles saltaram de 3.755 para 7.083. São mortes violentas sem causa definida, que podem ser homicídios.

Em outra frente, o FBSP mapeou facções na Amazônia. O Comando Vermelho (CV) passou de 128 municípios da região em 2023 para 286 em 2025, alta de 123%. O levantamento mede presença territorial, não mortes.

O que diz Flávio Bolsonaro: No debate da Band, afirmou que “a criminalidade explodiu no Brasil”, segundo a transcrição da Aos Fatos. Até a publicação, não localizamos resposta da campanha à checagem.

O que isso significa

A frase “a criminalidade explodiu” não se sustenta nos dados oficiais de 2025. A taxa nacional caiu no Atlas desde 2014 e no Anuário desde 2012. Isso não elimina os pontos de atenção, como a alta em sete estados e os recordes de mortes policiais e de feminicídios.

Fica em aberto quantas dessas mortes sem causa definida são homicídios. Se forem, a taxa real seria maior que a registrada. Por isso, o dado de queda deve ser lido com cautela.

Como fizemos: Usamos o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP, divulgado em 23/07/2026, dados de 2012 a 2025) e o Atlas da Violência 2026 (Ipea e FBSP, dados de 2014 a 2024). Acessamos os dados em 24/10/2026, por meio de reportagens e páginas oficiais, sem o texto integral das publicações. As taxas são por 100 mil habitantes e não foram corrigidas pela inflação. As variações percentuais citadas vêm das publicações e de reportagens sobre elas. Não somamos as séries, porque o Anuário conta MVI e o Atlas conta homicídios, com bases diferentes.

Fontes