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Justiça solta os cinco presos da Operação Vis Civitatis em Anápolis

Cinco presos e três armas no primeiro dia da Operação Vis Civitatis, em Anápolis. No mesmo dia, a Justiça mandou soltar os cinco presos.

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Vista de cima de Anápolis, em Goiás, com prédios altos e casas de telhado vermelho sob céu azul.
Vista parcial de Anápolis (GO), cidade onde a Operação Vis Civitatis foi realizada (foto de arquivo).Foto: Josue Marinho / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Na madrugada de 22 de outubro de 2026, policiais prenderam cinco suspeitos no bairro Recanto do Sol, em Anápolis (GO). A prisão fez parte da Operação Vis Civitatis, lançada na véspera pelo governador Daniel Vilela. No mesmo dia, a Justiça mandou soltar os cinco.

Este texto mostra o que os números oficiais dizem e o que ainda não dizem.

A operação veio depois de uma sequência de crimes violentos na cidade. No domingo, 18 de outubro, Hiago Almeida dos Santos, de 25 anos, e Ana Carolina Maia Nogueira, de 24, foram baleados. O casal estava em frente a uma distribuidora de bebidas, no bairro Maracanã. Os dois morreram, segundo o Portal 6.

Dois suspeitos presos depois do crime foram soltos pela Justiça em 20 de outubro, também segundo o portal. A Polícia Militar apontou uma possível disputa entre facções do Rio de Janeiro como motivo. Trata-se de hipótese da polícia, ainda não confirmada.

Os números oficiais

Operação Vis Civitatis: números divulgados até 22/10 Quantidades informadas pelo governo de Goiás no primeiro dia da ação

Item Quantidade
Policiais de unidades especializadas mais de 250
Pessoas presas 5
Veículos apreendidos 3
Armas de fogo apreendidas 3
Munições apreendidas 21

Fonte: Agência Goiás, Secretaria de Comunicação do Governo de Goiás. Elaboração: redação.

Os números vêm de um comunicado publicado em 22 de outubro. Participaram unidades como a Companhia de Policiamento Especializado (CPE) e o Grupo Especial de Repressão a Narcóticos (Genarc). Um dos três carros tinha sido roubado no Rio de Janeiro.

Os cinco foram autuados por associação criminosa. A polícia os investiga por tentativas de homicídio, segundo o comunicado. Associação criminosa é o crime de se unir a outras pessoas para cometer crimes.

A Justiça solta os presos

Na audiência de custódia, o juiz Flávio Pereira dos Santos Silva, em substituição na 5ª Vara de Garantias de Aparecida de Goiânia, relaxou as prisões. Relaxar a prisão significa declarar que ela foi feita de forma ilegal. Não significa declarar os suspeitos inocentes.

Segundo o Portal 6, o juiz entendeu que “faltaram elementos concretos para justificar a revista dos veículos”. A entrada de policiais em residências sem mandado judicial também não tinha razões concretas, na avaliação dele. Os três carros seguem apreendidos para perícia.

Foi a segunda soltura em poucos dias de suspeitos ligados à onda de violência, segundo a mesma reportagem.

O que a polícia afirma

O coronel Fábio Costa, comandante do 3º Comando Regional de Polícia Militar (3º CRPM), falou em coletiva em Anápolis em 22 de outubro. Segundo o Portal 6, ele afirmou: “Todos os crimes, 100% dos crimes que ocorreram, foram resolvidos”.

Os números divulgados não confirmam essa frase. Eles mostram cinco prisões. Nas reportagens consultadas, não aparece nenhuma conclusão de inquérito sobre as mortes do casal.

O coronel disse ainda que os índices criminais estão em queda: “Relativo a 2025 e 2026, está tendo redução dos índices, que já eram baixos.” Não encontramos, nas fontes consultadas, os dados que comprovam essa queda.

O delegado Marcos Adorno, do Genarc, disse que os presos podem estar ligados a crimes no Rio de Janeiro. A investigação segue com a Polícia Civil.

O que diz a Polícia Militar de Goiás: Em coletiva em Anápolis, em 22 de outubro, o coronel Fábio Costa afirmou que todos os crimes ocorridos na cidade foram resolvidos. Segundo o Portal 6, a reportagem não registra manifestação da corporação sobre a soltura dos presos.

O que isso significa

Até 27 de outubro, não encontramos balanço consolidado da Secretaria de Estado da Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), da PM-GO ou da Prefeitura de Anápolis. Os dados disponíveis cobrem só o primeiro dia de ações. A Agência Goiás informou que as ações iam até sábado, 24 de outubro, e seriam suspensas no domingo, 25, por causa da legislação eleitoral.

Em aberto estão a investigação da Polícia Civil, a perícia dos três carros e o índice de criminalidade que o comando diz ter caído. Um balanço com prisões mantidas, inquéritos concluídos e números de homicídios do período permitiria conferir essa afirmação.

Como fizemos: Usamos o comunicado da Agência Goiás de 22/10/2026 e reportagens do Portal 6 de 19, 20 e 22/10/2026, acessados em 27/10/2026. Os números da tabela são os divulgados no primeiro dia da operação; não fizemos cálculos próprios. Buscamos balanço da SSP-GO, da PM-GO e da Prefeitura de Anápolis, sem resultado. A fala do comandante vem de reportagem publicada, não de resposta a perguntas da redação nesta apuração.

Fontes