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Lula e Flávio divergem sobre facções e maioridade penal na Globo

No debate da TV Globo de 23 de outubro, Flávio propôs maioridade penal aos 16 anos e Lula defendeu a PEC da Segurança e um ministério próprio.

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Lula, de terno escuro e microfone de lapela, gesticula diante de um cenário azul de TV, durante o debate da Globo.
Lula durante o debate presidencial na TV Globo, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, em 23 de outubro de 2026.Foto: Ricardo Stuckert / Lula Oficial / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na noite de sexta-feira (23), a TV Globo recebeu Lula e Flávio Bolsonaro (PL) para o último debate antes do segundo turno. O mediador foi César Tralli. A segurança pública foi um dos temas, e os dois candidatos trocaram acusações.

A Constituição diz que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, ou seja, não respondem por crimes como adultos. Mudar essa idade exige emenda à Constituição.

Maioridade penal e facções

Flávio defendeu reduzir a maioridade penal. “A redução da maioridade penal vai acontecer finalmente no Brasil”, disse, segundo o GYN Notícias. Ele propôs classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações narcoterroristas, segundo a Tribuna do Norte.

Na Band, em 18 de outubro, ele também disse: “Com a lei antifacção que aprovamos, os líderes dessas facções vão ficar até 80 anos presos”, segundo o Muita Informação. A lei foi sancionada por Lula em 24 de março, com dois vetos. A reportagem da Brasil de Fato sobre a sanção não cita o limite de 80 anos.

Lula respondeu com uma comparação: “Ele quer entregar pro Trump cuidar daqui. Eu quero cuidar aqui”, segundo o Rumo News.

Flávio acusou governos do PT no Nordeste de deixar o crime crescer, segundo a Terra. A checagem do Fato ou Fake, do Grupo Globo, classificou como fato que os estados nordestinos governados pelo PT e por aliados são os mais violentos do país.

A frase sobre a polícia

Lula defendeu a PEC da Segurança Pública, a Proposta de Emenda à Constituição 18/2025. Ele disse que criaria o Ministério da Segurança Pública depois da aprovação. Na mesma resposta, citou o fortalecimento da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), segundo a Tribuna do Norte.

Ao criticar a milícia, segundo o Diário do Poder, ele usou a expressão “acabar com a polícia”. O Correio Braziliense e o Rumo News reproduzem a frase como “acabar com a polícia e deixar o território livre”. Alguns veículos trataram a fala como promessa; o Diário do Poder a descreve como parte da crítica à milícia. Não localizamos a transcrição oficial do debate, e o trecho exato deve ser conferido no vídeo da Globo.

O que diz a campanha de Lula: Segundo o Correio Braziliense, a assessoria disse que a frase foi um “equívoco de linguagem” cometido “no calor do debate”.

O caso Ana Clara

Lula perguntou a Flávio o que leva um senador a defender “um policial assassino”, segundo a Gazeta do Povo. A mãe da menina estava na plateia. Flávio respondeu: “eu tenho a confiança que não foi esse policial, ele sequer foi julgado ainda”, segundo a Terra.

Ana Clara Machado, de 5 anos, morreu em Niterói (RJ), em 2 de fevereiro de 2021. O Ministério Público do Rio (MPRJ) atribui o disparo fatal ao fuzil de um cabo da Polícia Militar. Ele foi denunciado por homicídio doloso, ou seja, com intenção de matar. O júri popular ainda não aconteceu, segundo O Liberal.

Flávio atuou na defesa do policial. Em 2024, ele assinou um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para evitar o júri, e o pedido foi rejeitado. A checagem do Fato ou Fake confirmou a atuação na defesa. Segundo O Liberal, a perícia não encontrou cápsulas de pistola que comprovem uma troca de tiros.

O que isso significa

Parte das falas já tem checagem. O Fato ou Fake classificou como fato que Lula se posicionou a favor de manter as saidinhas, as saídas temporárias de presos.

Três pontos seguem em aberto. A CCJ do Senado concluiu a votação da PEC da Segurança em 14 de outubro e enviou o texto ao plenário, segundo o Congresso em Foco. Não localizamos o resultado da votação final. O ministério depende da aprovação da PEC, e a maioridade penal exige mudança na Constituição. O segundo turno é no domingo (25).

Como fizemos: Reconstruímos as falas a partir de reportagens publicadas em 23 e 24 de outubro de 2026, acessadas em 24/10/2026. Não localizamos a transcrição oficial nem o vídeo da TV Globo, por isso as citações são as das reportagens e podem ter pequenas diferenças de redação. Os veredictos sobre fatos vêm das checagens do Fato ou Fake, reproduzidas pelo Piauí Hoje. O status da PEC vem da cobertura até 14/10. As campanhas não foram consultadas diretamente nesta versão, e as posições citadas são as já publicadas.

Fontes