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Revisão da condenação de Bolsonaro fica para depois da eleição
O relator Kassio Nunes Marques não vai julgar a revisão criminal antes do fim da eleição, e a data do plenário do STF ainda não foi marcada.
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O relator da revisão criminal de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) não vai levar o caso a julgamento antes do fim da eleição. O segundo turno acontece no domingo, 25 de outubro, das 8h às 17h. Até agora, o tribunal não marcou data para o julgamento.
A revisão criminal é uma ação que pede ao tribunal que reveja uma condenação já definitiva. Ela não é um recurso e não leva automaticamente à absolvição.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão no processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Em 25 de novembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes declarou o trânsito em julgado, ou seja, a condenação ficou definitiva e não cabem mais recursos no processo original.
A defesa protocolou a revisão em 8 de maio de 2026. O pedido é a anulação do processo ou a absolvição do ex-presidente. “O fundamento dessa ação é a reparação do erro judiciário”, afirmou a defesa, segundo a Gazeta do Povo.
Quem decide cada etapa
O caminho da revisão tem quatro passos. Cada um depende de uma autoridade diferente.
Etapas da revisão criminal de Bolsonaro no STF Situação segundo as reportagens publicadas entre maio e outubro de 2026
| Etapa | Quem decide | Situação |
|---|---|---|
| Parecer da PGR | Procuradoria-Geral da República (PGR) | Divergente, ver abaixo |
| Levar o caso ao plenário | Relator, ministro Kassio Nunes Marques | Ele diz que fará isso quando o processo estiver pronto |
| Marcar a data | Presidente do STF, Edson Fachin | Não definida |
| Julgar | Plenário, reunião de todos os ministros | Sem data |
Fonte: Metrópoles (7/10/2026); Folha BV (8/10/2026); Diário de Pernambuco (7/10/2026). Elaboração: redação.
As reportagens não concordam sobre a etapa atual. Em 7 de outubro, o gabinete do relator disse que o caso “ainda está pendente de parecer da PGR”, segundo o Metrópoles. A Folha BV escreveu que o caso “ainda aguarda manifestação” da PGR.
Já o Metrópoles e o O Tempo relataram, em 16 e 17 de junho, que a PGR tinha enviado parecer. Segundo eles, o órgão pediu que o STF nem conheça a ação. Não encontramos o andamento do processo no portal do STF que permitisse resolver a diferença.
A posição da PGR e da defesa
O procurador-geral Paulo Gonet escreveu no parecer: “O título condenatório é hígido e está assentado em vigoroso conjunto probatório”, segundo o Metrópoles. Para a PGR, a revisão não pode servir de novo recurso para discutir o que já foi decidido. O órgão também sustenta que a Primeira Turma do STF tinha competência para julgar o caso.
A defesa sustenta que o caso deveria ter sido julgado pelo plenário, e não pela Primeira Turma. Ela também pede a anulação da delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Segundo o Diário de Pernambuco, o presidente do STF, Edson Fachin, entende que o pedido “deve ser analisado pelo plenário da Corte, e não por uma de suas turmas”. A reportagem cita interlocutores e diz que ele pautaria o caso “sem demora” depois do pedido do relator.
O que diz o gabinete do ministro Kassio Nunes Marques: Em nota de 7 de outubro, o relator afirmou que a data de um julgamento presencial “depende do presidente do Supremo Tribunal Federal”. Segundo a Folha BV, o julgamento não ocorrerá antes do fim das eleições, para evitar interferências no processo eleitoral.
O que vem a seguir
Três pontos seguem em aberto. O primeiro é a situação do parecer da PGR, descrita de forma diferente pelas reportagens. O segundo é a liberação do processo pelo relator. O terceiro é a data que Fachin marcar.
Depois da eleição, o plenário terá de decidir se conhece a ação e, se conhecer, se a condenação deve ser revista. Nenhuma das fontes consultadas indica qual será o resultado.
Como fizemos: Reunimos reportagens publicadas entre maio e outubro de 2026, a notícia sobre o trânsito em julgado (25/11/2025) e notas do gabinete do relator, acessadas em 23/10/2026. Consultamos o portal do STF nessa data, mas não localizamos o andamento do processo na página pública. Quando as fontes divergiram, indicamos a data de cada uma.
Fontes
- Kassio diz que revisão criminal de Bolsonaro será após eleição em plenário — Metrópoles (acesso em 23/10/2026)
- STF deve julgar revisão da condenação de Bolsonaro após segundo turno das eleições — Folha BV (acesso em 23/10/2026)
- Fachin sinaliza a Nunes Marques que revisão criminal de Bolsonaro deve ser julgada apenas pelo plenário — Diario de Pernambuco (acesso em 23/10/2026)
- Gonet pede que STF rejeite revisão criminal de Jair Bolsonaro — Metrópoles (acesso em 23/10/2026)
- PGR se manifesta contra revisão criminal de Jair Bolsonaro no STF — O Tempo (acesso em 23/10/2026)
- PGR se manifesta contra revisão criminal de Bolsonaro — Gazeta do Povo (acesso em 23/10/2026)
- Defesa de Bolsonaro aciona Fachin para anular condenação no STF — Gazeta do Povo (acesso em 23/10/2026)
- Nunes Marques amplia prazo para PGR analisar revisão de condenação de Bolsonaro — InfoMoney (acesso em 23/10/2026)
- Moraes declara trânsito em julgado de ação que condenou Bolsonaro — Exame (acesso em 23/10/2026)
- Quando é e qual é o dia do segundo turno das eleições 2026 — Congresso em Foco (acesso em 23/10/2026)
- Portal do Supremo Tribunal Federal (consultado em 23/10/2026)
- Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF) — foto de Pedro França / Agência Senado, Wikimedia Commons (CC BY 2.0) (acesso em 23/10/2026)



