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Pensar no longo prazo é melhor que reagir ao pânico da Bolsa

A queda de 13,88% da Bolsa nesta segunda-feira não deve decidir o futuro de quem poupa. Tempo, disciplina e atenção a golpes protegem.

Tribuna. Este artigo reflete as ideias do autor, não necessariamente as do Jornal Ordem e Progresso.

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Fachada de uma agência da Caixa Econômica Federal, com letreiro azul e laranja, portas de vidro e aparelhos de ar-condicionado na parede.
Agência da Caixa Econômica Federal em Paratinga, fotografada em 21 de janeiro de 2023.Foto: Fronteira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na segunda-feira (26), o Ibovespa, principal índice da B3, a bolsa de valores brasileira, fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. A queda veio no dia seguinte à vitória de Lula no segundo turno e foi a maior perda percentual desde março de 2020, segundo a CNN Brasil. O dólar subiu 8,36%, a R$ 5,406.

Três semanas antes, em 5 de outubro, o mesmo índice tinha subido 7,70%, aos 206.911,89 pontos, o maior patamar de sua história. A informação é da Borá Investir, o site educativo da B3. Em 21 dias, a Bolsa foi da euforia ao pânico. Para quem tem ações ou fundos de ações, o saldo mudou de tamanho duas vezes, sem que a vida dessa pessoa tenha mudado na mesma proporção.

Este texto defende uma ideia simples. Decisões de vida, como trocar de emprego, vender um imóvel ou mexer na reserva de emergência, não devem nascer de um único pregão.

O que uma queda de um dia não mostra

O circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações quando a bolsa despenca, foi acionado nesta segunda. Foi a primeira vez desde março de 2020, segundo o InfoMoney.

O consultor Fábio Murad, da Wiser Asset, disse à Exame: “O circuit breaker confirma a intensidade das vendas, mas não prevê sua duração”.

Essa frase resume o problema. Uma queda grande mostra a força da venda, mas não mostra o fim. Quem afirma saber quando o mercado vai parar de cair está vendendo uma certeza que não existe.

A B3 explica que a volatilidade mede a intensidade e a frequência com que os preços variam. Seu glossário acrescenta: “Já para investidores de longo prazo, a volatilidade pode ser vista como uma característica natural do mercado”.

O mesmo erro existe do outro lado. A euforia de uma alta forte costuma levar à mesma decisão tomada no humor do dia, só que com sinal trocado. Pânico e euforia têm a mesma raiz, que é a pressa.

Proteção que não depende do pregão

Convém ser claro sobre os limites. Investimentos podem perder valor. Um pânico pode se aprofundar antes de qualquer recuperação. Ninguém anuncia o fundo do poço, e rentabilidade passada não garante nada no futuro.

Prazo longo ajuda, mas não elimina o risco. Maria Carolina Luchesi, da Hike Capital, escreveu no Borá Investir, em 6 de outubro, que “a probabilidade de resultado negativo diminui, embora não se anule”.

Semanas de medo também são semanas de golpe. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mantém o portal ContraGolpe para alertar sobre fraudes no mercado financeiro. Em experimento da CVM com a Anbima, em 2023, quase metade das pessoas (48%) que clicaram no anúncio de uma falsa corretora cairia no golpe. Na nossa leitura, o medo e a pressa para “recuperar o prejuízo” são o terreno em que essas ofertas prosperam.

Para quem trabalha com carteira assinada, a proteção mais concreta fica fora da Bolsa. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) descreve a Previdência como um seguro. Ela garante a renda do trabalhador e de sua família em casos de doença, acidente, morte e velhice.

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é outra rede. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o saldo pode ser sacado em casos como a demissão sem justa causa e a compra da casa própria.

Essas redes são direitos do trabalhador, e precisam ser defendidas e ampliadas. Uma Previdência pública forte e um FGTS que funcione dão um chão que não depende do humor do mercado.

Pensar no longo prazo não garante lucro, e não obriga ninguém a manter qualquer aplicação. É uma forma de não entregar decisões de vida a um pregão. A escolha certa depende do prazo de cada pessoa, do dinheiro que pode ficar parado e da necessidade de resgatar. O Estado tem papel nisso, com educação financeira, combate a golpes e previdência pública. Este texto não recomenda comprar nem vender nenhum ativo.

O que diz a CVM: No portal ContraGolpe, a CVM afirma: “O objetivo é alertar sobre sinais de fraude comuns e promover a educação financeira.” A página foi publicada em 23/10/2024 e atualizada em 01/05/2026.

Como fizemos: Este texto é opinião da redação, com fatos conferidos nas fontes listadas. Os números do Ibovespa e do dólar de 26/10/2026 vêm da InfoMoney e da CNN Brasil, consultadas em 26/10/2026, e o de 5/10/2026 vem da Borá Investir, da B3. As reportagens dão alta do dólar entre 8,21% e 8,36%; usamos o número da CNN Brasil. Não fizemos cálculos próprios e não prevemos o rumo da Bolsa.

Fontes