Sistema prisionalBangu 3

Bangu 3 tinha antenas de internet escondidas na parede de cela

Polícia Penal apreendeu duas antenas Starlink e 15 celulares em Bangu 3; operação em vários presídios recolheu 40 telefones.

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Entrada do Complexo Penitenciário de Gericinó com placa de identificação e barreiras.
Entrada do Complexo Penitenciário de Gericinó, onde fica Bangu 3, em janeiro de 2017.Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

Policiais penais encontraram duas antenas Starlink desmontadas e escondidas na parede de uma cela do Presídio Gabriel Ferreira Castilho, conhecido como Bangu 3, no Rio de Janeiro. A apreensão ocorreu na terça-feira (27) e foi divulgada nesta quarta.

No mesmo local, os agentes recolheram 15 celulares e drogas. Bangu 3 concentrou 37,5% dos 40 telefones apreendidos na Operação Illicitus naquele dia. O equipamento via satélite amplia o desafio de impedir comunicações clandestinas no sistema prisional.

Antenas aparecem ao lado de telefones e drogas

O presídio fica no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen), a unidade abriga lideranças do Comando Vermelho. As antenas estavam ocultas na estrutura de uma cela.

A Starlink oferece conexão à internet por satélite. No contexto de um presídio, uma antena clandestina pode contornar o bloqueio de sinais de telefonia celular. A apreensão não informa, porém, por quanto tempo os equipamentos estiveram ali nem se chegaram a funcionar.

Bangu 3 concentrou mais de um terço dos celulares do dia Apreensões da Operação Illicitus em 27/10/2026

Item Quantidade
Celulares apreendidos em todas as unidades 40
Celulares encontrados em Bangu 3 15
Celulares recolhidos nas demais ações 25
Antenas Starlink em Bangu 3 2
Drogas apreendidas no total 2 kg
Visitantes presos com entorpecentes 2

Fonte: Secretaria de Estado de Polícia Penal, conforme O Dia e Metrópoles. Percentual calculado pela redação.

Duas mulheres foram presas em flagrante ao tentar entrar com drogas em duas unidades. As revistas ocorreram na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira e no Presídio Evaristo de Moraes. Elas foram autuadas por tráfico de drogas, segundo as reportagens.

Operação acumula mais de 1.600 telefones

A Illicitus começou em agosto e já retirou mais de 1.600 telefones de circulação. Também apreendeu mais de 36 quilos de entorpecentes. Nesse período, 23 visitantes foram presos tentando levar materiais proibidos a unidades prisionais.

A Seppen informou ainda que dois policiais penais foram flagrados tentando entrar ou facilitando a entrada desses itens. Os números mostram que a fiscalização precisa alcançar tanto visitantes quanto servidores suspeitos. Os casos não representam condenação.

A operação reúne as subsecretarias Operacional e de Inteligência, além da Corregedoria-Geral. As ações são planejadas para ocorrer de surpresa. O material recolhido foi apresentado às delegacias responsáveis pelos registros.

O que diz a Seppen: A secretaria informa que a Illicitus busca desarticular a comunicação entre integrantes de organizações criminosas presos e em liberdade. O balanço foi divulgado pelas reportagens de O Dia e Metrópoles, sem detalhar a origem das antenas.

Controle precisa acompanhar a tecnologia

A descoberta das antenas acrescenta um equipamento diferente ao problema já conhecido dos celulares. Também exige investigação sobre a entrada, a montagem e a eventual utilização do material dentro da unidade.

As fontes não informaram responsáveis pela instalação nem novas prisões ligadas especificamente às antenas. Esses pontos ficam em aberto. Para o Estado, recuperar o controle dos presídios depende de inteligência e fiscalização, sem abandonar as regras de segurança e os direitos de quem está custodiado.

Como fizemos: Comparamos os balanços publicados por O Dia e Metrópoles em 28/10/2026. Calculamos a participação de Bangu 3 dividindo 15 celulares pelos 40 recolhidos no dia, o que resulta em 37,5%. Não estimamos tempo de uso das antenas, alcance da conexão ou responsáveis pela instalação.

Fontes